Drama dos times cearenses na Série B
Leia a coluna de Tom Barros
Há jogos que surpreendem pela mudança inesperada de cenário de um tempo para o outro. O Ceará teve o controle e o placar à sua disposição na etapa inicial. Melk fez 1 a 0. Poderia ter feito mais. O Vozão desperdiçou outras chances claras com Wendel, Matheus Araújo e Dieguinho. E ainda mandou uma bola na trave.
A impressão era de que, no segundo tempo, o Ceará consolidaria a predominância. Ledo engano. Em poucos minutos, tudo desmoronou. O empate do Operário, gol de Boschilia, seguido da expulsão de Fernandinho, desestruturou o Ceará. A virada veio relâmpago com o golaço de Feliciano.
O Operário, que adotou a proposta de jogar em contra-ataque, mais se fechou. Montou um “bunker”. O Ceará fez pressão. Foi para cima, mas nem a força jovem do Vozão conseguiu ultrapassá-lo. Para piorar, Lucas Lima também foi expulso. Acabou ali qualquer possibilidade de reação.
Ficou claro que emocionalmente o Ceará é um time abalado. Por mais paradoxal que pareça, demonstrou ter condições para ganhar o jogo. Um apagão de dez ou quinze minutos arruinou as pretensões do time cearense. Foi incrível.
Consequências
A derrota do Fortaleza diante do Athletic Club trouxe uma série de reflexões sobre os objetivos tricolores no atual momento. Qual a prioridade, a Copa do Nordeste, a Copa do Brasil ou a Série B nacional. A meu juízo, a prioridade tem de ser o retorno à Série A nacional. Pronto.
Outra visão
Acima da visão dos cronistas, há muitas responsabilidades sobre os ombros dos que estão no comando do clube. Responsabilidade com as finanças, com as obrigações sociais, com a folha de jogadores e funcionários, com a manutenção da estrutura... Então eles têm que ver também as receitas.
Decisão
Amanhã, já haverá o primeiro jogo da decisão da Copa do Nordeste. Quer queiram, quer não, não havia como jogar em Minas Gerais sem planejar o jogo diante do Vitória. O desgaste, a rotatividade dos jogadores, a estratégia para cada partida. Assim, fica difícil cobrar uma coisa sem examinar a outra.
Administração
Compreendo as dificuldades que o técnico Carpini está tendo para os ajustes a cada desafio. Às vezes, quem quer tudo termina sem nada. Inteligente é quem foca no essencial, quando diante de vários desafios paralelos. A meu juízo, a prioridade é a Série B. Mas só quem sabe onde o sapato lhe aperta é quem está calçado com ele.
Cofre
Futebol é negócio. Da saúde do cofre muita coisa depende no Pici. Fica nas mãos dos dirigentes tricolores a busca por um meio-termo capaz de contemplar as diversas necessidades expostas. Desejo que haja a melhor solução para cada problema. O assunto é muito delicado.