Baía formosa, o paraíso potiguar
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Quando a temporada de ondas acaba no Ceará, começa a busca por boas ondas em outros picos de surf em estados vizinhos
Na aventura radical dessa semana embarcamos em uma viagem para um dos paraísos do Surf nordestino mais visitados por cearenses durante a baixa temporada de surf no Estado: Baía Formosa. O município potiguar possui alguns dos principais picos de surf do País.
Foi uma viagem rápida, de três dias e duas noites. Dentro dessas condições tivemos que otimizar o tempo para não correr o risco de, após percorrer 656 km, chegar lá e as ondas não estarem boas. Logo que as previsões começaram a apontar a chegada de boas ondulação no litoral do Rio Grande do Norte, arrumamos as malas e programamos a viagem para chegarmos antes do ápice do swell.
Quando chegamos ao nosso destino, ao meio dia, ainda tínhamos tempo de almoçar, nos alojarmos, descansar um pouco da viagem e surfar boa parte da tarde. Mas, o surf tem sua própria lógica e, para um surfista, não há nada mais importante do que aproveitar as ondas ao máximo. Então fomos direto para a praia do Pontal, o principal pico de surf da Baía Formosa.
Swell
A parte do almoço e da acomodação ficou para depois do surf. O dia seguinte seria determinante para o planejamento do grande dia, quando o swell atingiria seu maior tamanho, segundo as previsões, proporcionando o melhor dia de surf. Como sempre, o primeiro a entrar no mar foi o veterano do surf cearense Cardoso Júnior.
Apesar de praticar o esporte há mais tempo que a maioria dos surfistas presentes, Cardoso Júnior mostrou por que ainda hoje continua sendo frequentador dos pódios cearenses e nordestinos, mostrando disposição e vitalidade de um garoto.
O ataque começou nas ondas do Pontal, que na opinião de grandes nomes do surf brasileiro é um dos melhores picos do País. Às seis da manhã, já estávamos na água em um mar convidativo, já que a maré cheia cobria todas as pedras que são responsáveis pela reconhecida qualidade dessas ondas.
Por volta das nove horas, o mar começou a ficar cheio de surfistas. Era a hora de sair e deixar os locais aproveitarem seu tesouro. Depois de um café da manhã, tipicamente nordestino, seguimos para outra famosa praia conhecida como Point Secret. Ao contrário do Pontal, no Point o fundo é de areia e, por oferecer ótimas condições de treino e ser um pouco mais afastada do centro do município, é a praia preferida pelos principais surfistas da região. Um deles é o atual vice-campeão brasileiro de surf profissional, Alan Jones, natural de Baía Formosa.
Pioneirismo
Lendário
Durante os dias em que estivemos na Baía Formosa falamos com Ronaldo Barreto, a lenda do surf potiguar e um dos primeiros a encarar o Pontal
Mar aberto
No início da década de 1970, o surf em Baía Formosa era na Praia do Mar Aberto. A cerca de quinhentos metros do Pontal, ficava uma praia onde rolavam altas ondas e ninguém tinha coragem de surfá-las
Pedras
O Pontal era temido pelos pescadores pelo risco que suas pedras representavam às embarcações. Ronaldo conta que ele e o amigo Felipe Dantas foram os primeiros a desafiar as ondas que quebravam perfeitas sobre as pedras
NOVAS PRAIAS
Em busca de ondas perfeitas
Na sequência da aventura, fomos em busca de outras ondas. Visitamos a praia do Porto, Picão e depois fomos conferir as praias do Mar Aberto, Bacupari e do Farol. Em todas poderíamos pegar ótimas ondas, mas optamos por voltar para o Pontal, pois a qualidade daquela onda é sem igual.
No terceiro e principal dia, assim como as previsões anunciavam, as ondas quebraram perfeitas, com cerca de um metro e meio de tamanho durante todo dia. O Pontal nos deu um verdadeiro presente e não víamos motivos para sairmos de lá.
Enquanto em Fortaleza não tinha nada de surf estávamos surfando ondas de qualidade internacional em um dia que lembraremos para o resto de nossas vidas. Aquele que seria o último dia, acabou tornando-se o "Dia D da viagem" e, após três exaustivas sessões de surf, finalizamos o projeto apreciando o pôr do sol, relembrando o dia em que, à luz de um entardecer desse mesmo sol, quando havíamos combinado aquela viagem que remontava os primórdios do surf cearense e que se repete há quatro gerações dando claros sinais de que várias outras gerações irão repetir esse mesmo ritual de caça as ondas durante esse período do ano, justificando o comportamento nômade de todos os amantes do esporte dos reis polinésios.
A lendária Pipa
Apesar de ter combinado que voltaríamos ao término do terceiro dia, resolvemos ficar mais uma noite e aproveitar as boas ondas que ainda quebrariam no dia seguinte. Após mais um surf cedinho no Pontal arrumamos as malas e pegamos a estrada.
Mas, naturalmente, não poderíamos passar tão próximo de outro incrível destino do surf nordestino sem dar ao menos uma breve conferida nas ondas da: Pipa, outro paraíso do surf nordestino encravado no litoral sul potiguar. Mas, essa história vai ficar para um outro domingo, onde mostrarei praias do litoral nordestino que, apesar de um pouco mais longe do Ceará, também são destinos bem procurados pelos surfistas, como as praias de Porto de Galinhas, em Pernambuco, Praia do Francês em Alagoas, chegando até as fortes ondas da Bahia.
História
Segundo Cardoso Júnior, as viagens de surf durante o mês de julho, que se estendem até agosto e setembro, eram tão comuns há 30 anos, quanto são agora. A diferença era que, no seu Fiat 147, do início da década de 1980, ele levava 12h de viagem, devido à condição das estradas.
Ele lembra, inclusive, que nas primeiras viagens a estrada que separa o município de Baía Formosa da BR-101 ainda era de carroçal e só veio a ser asfaltada durante a década de 1990.
GEORGE NORONHA
ESPECIAL PARA O JOGADA
Na aventura radical dessa semana embarcamos em uma viagem para um dos paraísos do Surf nordestino mais visitados por cearenses durante a baixa temporada de surf no Estado: Baía Formosa. O município potiguar possui alguns dos principais picos de surf do País.
Foi uma viagem rápida, de três dias e duas noites. Dentro dessas condições tivemos que otimizar o tempo para não correr o risco de, após percorrer 656 km, chegar lá e as ondas não estarem boas. Logo que as previsões começaram a apontar a chegada de boas ondulação no litoral do Rio Grande do Norte, arrumamos as malas e programamos a viagem para chegarmos antes do ápice do swell.
Quando chegamos ao nosso destino, ao meio dia, ainda tínhamos tempo de almoçar, nos alojarmos, descansar um pouco da viagem e surfar boa parte da tarde. Mas, o surf tem sua própria lógica e, para um surfista, não há nada mais importante do que aproveitar as ondas ao máximo. Então fomos direto para a praia do Pontal, o principal pico de surf da Baía Formosa.
Swell
A parte do almoço e da acomodação ficou para depois do surf. O dia seguinte seria determinante para o planejamento do grande dia, quando o swell atingiria seu maior tamanho, segundo as previsões, proporcionando o melhor dia de surf. Como sempre, o primeiro a entrar no mar foi o veterano do surf cearense Cardoso Júnior.
Apesar de praticar o esporte há mais tempo que a maioria dos surfistas presentes, Cardoso Júnior mostrou por que ainda hoje continua sendo frequentador dos pódios cearenses e nordestinos, mostrando disposição e vitalidade de um garoto.
O ataque começou nas ondas do Pontal, que na opinião de grandes nomes do surf brasileiro é um dos melhores picos do País. Às seis da manhã, já estávamos na água em um mar convidativo, já que a maré cheia cobria todas as pedras que são responsáveis pela reconhecida qualidade dessas ondas.
Por volta das nove horas, o mar começou a ficar cheio de surfistas. Era a hora de sair e deixar os locais aproveitarem seu tesouro. Depois de um café da manhã, tipicamente nordestino, seguimos para outra famosa praia conhecida como Point Secret. Ao contrário do Pontal, no Point o fundo é de areia e, por oferecer ótimas condições de treino e ser um pouco mais afastada do centro do município, é a praia preferida pelos principais surfistas da região. Um deles é o atual vice-campeão brasileiro de surf profissional, Alan Jones, natural de Baía Formosa.
Pioneirismo
Lendário
Durante os dias em que estivemos na Baía Formosa falamos com Ronaldo Barreto, a lenda do surf potiguar e um dos primeiros a encarar o Pontal
Mar aberto
No início da década de 1970, o surf em Baía Formosa era na Praia do Mar Aberto. A cerca de quinhentos metros do Pontal, ficava uma praia onde rolavam altas ondas e ninguém tinha coragem de surfá-las
Pedras
O Pontal era temido pelos pescadores pelo risco que suas pedras representavam às embarcações. Ronaldo conta que ele e o amigo Felipe Dantas foram os primeiros a desafiar as ondas que quebravam perfeitas sobre as pedras
NOVAS PRAIAS
Em busca de ondas perfeitas
Na sequência da aventura, fomos em busca de outras ondas. Visitamos a praia do Porto, Picão e depois fomos conferir as praias do Mar Aberto, Bacupari e do Farol. Em todas poderíamos pegar ótimas ondas, mas optamos por voltar para o Pontal, pois a qualidade daquela onda é sem igual.
No terceiro e principal dia, assim como as previsões anunciavam, as ondas quebraram perfeitas, com cerca de um metro e meio de tamanho durante todo dia. O Pontal nos deu um verdadeiro presente e não víamos motivos para sairmos de lá.
Enquanto em Fortaleza não tinha nada de surf estávamos surfando ondas de qualidade internacional em um dia que lembraremos para o resto de nossas vidas. Aquele que seria o último dia, acabou tornando-se o "Dia D da viagem" e, após três exaustivas sessões de surf, finalizamos o projeto apreciando o pôr do sol, relembrando o dia em que, à luz de um entardecer desse mesmo sol, quando havíamos combinado aquela viagem que remontava os primórdios do surf cearense e que se repete há quatro gerações dando claros sinais de que várias outras gerações irão repetir esse mesmo ritual de caça as ondas durante esse período do ano, justificando o comportamento nômade de todos os amantes do esporte dos reis polinésios.
A lendária Pipa
Apesar de ter combinado que voltaríamos ao término do terceiro dia, resolvemos ficar mais uma noite e aproveitar as boas ondas que ainda quebrariam no dia seguinte. Após mais um surf cedinho no Pontal arrumamos as malas e pegamos a estrada.
Mas, naturalmente, não poderíamos passar tão próximo de outro incrível destino do surf nordestino sem dar ao menos uma breve conferida nas ondas da: Pipa, outro paraíso do surf nordestino encravado no litoral sul potiguar. Mas, essa história vai ficar para um outro domingo, onde mostrarei praias do litoral nordestino que, apesar de um pouco mais longe do Ceará, também são destinos bem procurados pelos surfistas, como as praias de Porto de Galinhas, em Pernambuco, Praia do Francês em Alagoas, chegando até as fortes ondas da Bahia.
História
Segundo Cardoso Júnior, as viagens de surf durante o mês de julho, que se estendem até agosto e setembro, eram tão comuns há 30 anos, quanto são agora. A diferença era que, no seu Fiat 147, do início da década de 1980, ele levava 12h de viagem, devido à condição das estradas.
Ele lembra, inclusive, que nas primeiras viagens a estrada que separa o município de Baía Formosa da BR-101 ainda era de carroçal e só veio a ser asfaltada durante a década de 1990.
GEORGE NORONHA
ESPECIAL PARA O JOGADA