Ministério da Saúde diz que Covax deve enviar 4 milhões de doses de vacinas contra Covid em maio

Consórcio da OMS estava passando por atrasos no cronograma em razão de problemas com produtores

Dezenas de doses da vacina AstraZeneca/Oxford
Legenda: Doses previstas são da vacina AstraZeneca/Oxford, embora a Covax também deva enviar imunizantes da Pfizer.
Foto: Christof Stache/AFP

O Ministério da Saúde informou, nesta quarta-feira (28), que a Covax Facility antecipará a entrega de 2 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19  para maio. Agora, o Brasil deve receber 4 milhões de doses no mês que vem, já que 2 milhões já estavam previstas pelo consórcio. O anúncio ocorreu após reunião do Comitê de Enfrentamento à Pandemia da Covid, no Palácio do Planalto.

As doses são da vacina AstraZeneca/Oxford e fazem parte de um acordo negociado pela Pasta com a iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) no último ano. O consórcio, até então, estava passando por atrasos no cronograma devido a problemas técnicos junto aos produtores.

A previsão inicial era de que a Covax enviasse ao Brasil até 9,1 milhões de doses até maio —  no entanto, apenas 1 milhão desse total já foi entregue até o momento.

Em meio aos atrasos, o cronograma foi revisto: passou a ter previsão de entrega de 8 milhões até o próximo mês, número que caiu para 4 milhões e, depois, 2 milhões, na última versão do plano. A Covax prevê, ainda, entregas da Pfizer, cujo calendário precisa de confirmação. Inicialmente, deve ocorrer até junho.

Conforme o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, o total de doses de vacinas previstas para o mês de maio no País — com a nova estimativa da Covax além de diferentes fornecedores — passará de 32,5 milhões para 34,5 milhões.

Remessa de vacinas da Pfizer

O Ministério da Saúde, segundo o secretário, também receberá uma primeira remessa de vacinas da Pfizer nesta quinta-feira (29), com 1 milhão de doses. A maior quantidade de cargas pela empresa, contudo, ainda é prevista para o segundo semestre. No último ano, o governo negou três propostas da corporação para fechar contratos mais cedo.

Em outro impasse no cronograma, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, voltou a admitir dificuldades para obter novas vacinas CoronaVac em razão do atraso para entrega de insumos que estavam previstos da China. Tal situação atrasou a produção do imunizante e chegou a fazer alguns municípios suspenderem a aplicação da segunda dose.

"Em alguns estados, em decorrência da dificuldade com o IFA vindo da China, alguns fizeram a primeira dose e a segunda não estava disponível", disse. "Esperamos que na semana que vem sejam distribuídas doses da CoronaVac suficientes para que haja regularização nacional da segunda dose".

Conforme Marcelo Queiroga, a previsão é de que novas doses sejam entregues no início de maio.

Segunda dose fora do prazo

Uma nota técnica foi divulgada pela Pasta nessa terça (27). Nela, há orientação para que a segunda dose seja tomada mesmo fora do prazo.

Em outro anúncio, o Ministério informou que deve finalizar, nesta semana, um contrato com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) para aquisição de medicamentos usados na intubação de pacientes graves com Covid-19 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A previsão é que a entrega ocorra a partir de maio, mas o Ministério não citou quantidades.

Conforme Rodrigo Cruz, a Pasta também planeja fazer outro pregão nacional e internacional para tentar antecipar entregas desses remédios.

Queda de casos de Covid-19

O ministro da Saúde ainda disse, no encontro, que o Ministério vê uma queda no total de novos casos do novo coronavírus, mas afirmou que o volume de registros ainda é alto. "Ainda estamos em um momento de muita seriedade na pandemia", afirmou ele, indicando existência de redução, por outro lado, da pressão sobre o sistema de saúde.

Sem dar detalhes sobre medicamentos ou prazos, ele afirmou que o Ministério pretende aprovar um protocolo clínico de tratamento contra a Covid-19, o qual será analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). Ele também pretende lançar um programa de testagem.

Participação em CPI

Questionado sobre a CPI que ocorre no Senado para investigar ações de combate à Covid, Queiroga disse apenas que prestará esclarecimentos. "Minha preocupação imediata é com a CTI [centro de terapia intensiva], a CPI é atribuição do Parlamento, se me chamarem vou lá. Vamos prestar as informações que os senadores desejarem", disse.

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