Família vítima da fome vende bebê por US$ 500 para salvar os outros filhos no Afeganistão

A miséria na região agravou-se desde a chegada dos talibãs

Mãe coberta com véu durante entrevista
Legenda: A mãe lamenta ter de vender a bebê, mas não encontra saída para garantir a sobrevivência dos outros filhos
Foto: Reprodução BBC

O desespero causado pela fome e a insegurança alimentar fizeram com que uma família vendesse o próprio bebê para conseguir garantir a comida das outras crianças por alguns meses, na cidade de Herat, no Afeganistão. A menina foi vendida por US$ 500 (R$ 2.777 na cotação atual). As informações são da BBC

“Meus outros filhos estavam morrendo de fome, então, tivemos que vender a minha filha. Como posso não estar triste? Ela é minha filha. Gostaria de não precisar vender minha filha", lamenta a mãe, em entrevista à rede britânica. 

O pai trabalhava como catador de lixo, mas não consegue emprego. Eles não têm renda e, consequentemente, não conseguem comprar o básico para sobrevivência. 

“Estamos passando fome. Neste momento, não temos farinha nem óleo em casa. Não temos nada”, relata o homem.

“Minha filha não sabe qual será o futuro dela. Eu não sei como ela vai se sentir. Mas eu tinha que vendê-la”, completa. 

A bebê será levada quando começar a andar. A família soube que ela se casaria com o filho do comprador. No entanto, o futuro da garota é incerto. 

O homem que a comprou adiantou mais da metade do valor. Assim, eles terão condições de se manter por alguns meses.

Contexto econômico

Essa família não está sozinha. Conforme reportagem da BBC observou, outras famílias tentam vender os filhos para garantir a sobrevivência dos demais na região. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de nove em cada dez famílias afegãs carecem de alimentos suficientes. 
 
 
O cenário, que já era crítico devido à pandemia de Covid-19 e à grave seca, agravou-se desde a chegada dos talibãs. Os extremistas aumentaram os preços dos produtos de primeira necessidade.
 

A insegurança alimentar já estava muito extensa antes de 15 de agosto, quando 81% das famílias afirmavam não terem alimentos suficientes, acrescentou.

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