Coração de porco transplantado em homem possuía vírus suíno, relata cirurgião

David Bennett, paciente de 57 anos, morreu dois meses após receber órgão

Legenda: Operação inédita transplantou coração de porco geneticamente modificado para um homem nos EUA.
Foto: Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland

Após o estadunidense David Bennett se tornar a primeira pessoa a receber um coração de um porco geneticamente modificado, foi comprovado que o órgão estava com o vírus suíno "porcine cytomegalovirus". As informações são do g1.

Dois meses depois da cirurgia, o homem de 57 anos faleceu, no dia 8 de março de 2022. De acordo com o médico que realizou o inédito transplante, Bartley Griffith, a presença do vírus no coração pode ter contribuído com a morte de David.

A descoberta foi divulgada pela MIT Technology Review e apresentada durante um evento nos Estados Unidos, no dia 20 de abril.

“Estamos começando a entender por que ele faleceu".
Bartley Griffith
Cirurgião de Transplante

O médico, que também é cirurgião de transplantes da Universidade de Maryland, detalhou que foi realizado um teste 20 dias depois do transplante.

Na época, a presença do vírus suíno foi constatada em nível muito baixo e, por isso, descartada como um "erro de laboratório". Porém, ao repetir o teste um mês depois, perceberam que tinha ocorrido um aumento do vírus no coração.

Revivicor, empresa de medicina regenerativa que realizou o procedimento, não comentou o caso.

OPERAÇÃO INOVADORA

O transplante de coração foi um dos vários procedimentos pioneiros nos últimos meses em que órgãos de porcos geneticamente modificados foram usados para substituir órgãos em humanos.

O processo, chamado xenotransplante, oferece uma esperança para dezenas de milhares de pacientes com rins, corações e outros órgãos doentes, pois há uma escassez aguda de órgãos doados.

Nesse casa, a modificação foi realizada pela Revivicor, a mesma empresa responsável por fornecer o porco usado em um transplante de rim feito em um paciente com morte cerebral em Nova York, em outubro de 2021.

"Era morrer ou fazer esse transplante. Eu quero viver. Eu sei que é um tiro no escuro, mas é minha última opção", disse Bennett antes da cirurgia. O estadunidense já tinha passado meses ligado a uma máquina de suporte à vida.

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