Após multa de 500 milhões de euros, Google vai pagar a jornais da França por exibição de conteúdo

Pagamento deve começar a ser realizado nos próximos dias e irá beneficiar cerca de 300 grupos jornalísticos franceses

Aplicativo Google Notícias
Legenda: Conforme o representante da empresa, o Google redireciona 24 bilhões de visitas para organizações de mídia.
Foto: Shutterstock

O Google chegou a um acordo com uma aliança de jornais da França e passará a remunerá-los por exibir conteúdo produzido por eles em buscas online. A decisão se deu oito meses depois da empresa de buscas receber uma multa de 500 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões) naquele país. As informações são do site Media Talks, pertencente ao UOL.

Conforme a publicação, o Google e a Alliance of the General Information Press (APIG) declararam, em conjunto, que o acordo representa uma “uma etapa histórica na aplicação” dos direitos conexos.

A autoridade de concorrência da França (Autorité de la Concurrence) havia multado o empresa de buscas, em julho do ano passado, por não respeitar medidas provisórias impostas no ano anterior, que exigiam que a empresa negociasse “de boa fé” com órgãos de imprensa sobre compensação financeira pelo conteúdo veiculado na plataforma.

A França é um dos poucos países que adotou o chamado "direito vizinho", uma reforma dos direitos autorais da União Europeia (UE), que concede a publicações o direito de solicitar remuneração quando seu conteúdo é exibido em redes sociais e plataformas online.

300
O Google anunciou que nos próximos dias irá começar a realizar o pagamento a cerca de 300 grupos jornalísticos, de tamanhos diferentes - internacionais, nacionais, regionais e locais.

O valor exato que será pago pelo Google a cada jornal francês não foi divulgado. Mas alguns jornais, que já assinaram acordos individuais com o site de buscas, deram indicações sobre os valores. Um representante do Le Monde, um dos mais tradicionais do país, por exemplo, divulgou que o jornal deve receber cerca de 1 milhão de euros por ano. 

A França seguiu o exemplo da Austrália, que há um ano impôs às plataformas (como Google e Facebook) o pagamento da veiculação dos seus conteúdos, sob pena de serem multados pelo Estado. As redes sociais resistiram à decisão, mas foram punidas e precisaram abrir negociações.

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