Cinebiografia de Ney Matogrosso emociona e faz o corpo pegar fogo
Homem com H de humano
O cinema brasileiro, realmente, está com tudo! Uma maré boa tem tomado conta da nossa indústria com excelentes produções e atraído os olhares do mercado internacional pela forma como contamos nossas histórias. Se há algumas semanas comemoramos nosso primeiro Oscar e outras premiações, afirmo sem titubeio que seguimos com muitos motivos para comemorar após assistir Homem com H.
A cinebiografia de Ney Matogrosso, dirigida por Esmir Filho, é um absurdo, um filme que emociona e faz o corpo pegar fogo ao ver Jesuíta Barbosa interpretando um dos maiores e mais revolucionários nomes da música popular brasileira.
A forma como contam essa história é tão comovente que me recuso a trazer spoilers, mas não posso deixar de fazer desta coluna uma sincera tentativa de instigar você que me lê a assisti-lo também.
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Homem com H escolhe o caminho convencional das biografias e narra de forma linear, destacando tempo a tempo, a vida e a carreira artística de Ney, mas sem que a obra fique didática ou professoral demais. O filme deixa que o espectador receba, mas antes de tudo, que ele sinta todas as informações.
É delicado, forte e bonito. Quem o assiste, vê muito mais do que os percursos que fazem de Ney Pereira o Matogrosso. O longa ainda consegue inserir o Brasil e seu contexto histórico, suas questões sociais, ideológicas, políticas e sexuais com muita poesia.
O roteiro, a direção, a arte, a fotografia, o elenco, a caracterização e a trilha, claro, tudo é um primor.
O trabalho de Jesuíta é esplendoroso e impossível de não destacar.
Distanciar-se do ator fica um pouco delicado diante de tanta intimidade que tenho com esse amigo de longa data, mas aqui não vem nem ao caso. Eu não reconheço Jesuíta no filme, vejo apenas um corpo-ator que dá espaço ao personagem Ney, numa entrega tão imensa que, por alguns momentos, esqueci que estava dentro de um cinema.
A magia da atuação é assim mesmo e eu me senti parte daquela história, como se testemunhasse a vida ao lado de Ney. Homem com H é dessas cinebiografias que não deixa nada a desejar comparado a certas produções internacionais.
A atuação de Jesuíta é de uma força digna de indicação ao Oscar. Que sorte a nossa poder celebrar Ney Matogrosso e que bonito é homenageá-lo em vida, muita vida.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor