Comédia 'Morte e Vida Madalena' celebra parcerias e modos de fazer da produção artística cearense

Filme dirigido por Guto Parente e estrelado por Noá Bonoba está em cartaz nos cinemas.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
Legenda: Memórias e emoções íntimas de Madalena (Noá Bonoba) são destaque em cena central do longa cearense.
Foto: Divulgação.

Uma gravidez de oito meses, um luto recente pela perda do pai e os inúmeros percalços em meio às gravações de um filme independente desafiam uma produtora de cinema, vivida pela atriz Noá Bonoba, no longa cearense “Morte e Vida Madalena”.

Apesar das intempéries do contexto, ou talvez por conta do absurdo das situações advindas delas, a produção escrita e dirigida por Guto Parente se constitui enquanto uma comédia que abre espaço, também, para leveza e emoção

A trama acompanha Madalena às vésperas de rodar uma ficção científica de baixo orçamento, cujo roteiro foi escrito pelo pai recém-falecido (Carlos Francisco) e que tem direção a cargo do ex-marido dela, Davi (Marcus Curvello).

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O cineasta, no entanto, desaparece logo no início das gravações, problema que se soma à pilha de outros que Madalena precisa lidar: dificuldade de receber os recursos já destinados ao filme, ameaça de paralisação dos profissionais e excentricidades de um ator do elenco, para citar alguns.

Parte relevante da graça vem do tom desafetado que Noá imprime à personagem, que transita em especial entre incisividade, ironia e contenção. Madalena é direta e resolutiva frente aos absurdos — bastante reais — daquele set, mas está também imersa em um processo pessoal de luto.

Um dos grandes momentos emotivos do filme se dá em uma reação de vulnerável felicidade da produtora: um vislumbre que Madalena dá por cima de um muro, que proporciona a ela um acesso a memórias e emoções das mais íntimas, quase palpáveis na feição da atriz.

Cena da atriz Noá Bonoba no filme cearense 'Morte e Vida Madalena' mostra a personagem grávida, vestindo uma túnica clara com camisão azul e apontando um revólver para frente em um ambiente rústico iluminado. Ao fundo, à esquerda, duas figuras observam a cena na penumbra num cenário com paredes de tom terra e iluminação dramática.
Legenda: Elementos de outros gêneros cinematográficos são explorados em "Morte e Vida Madalena", ecoando característica que é marca da filmografia de Guto Parente desde os primeiros trabalhos.
Foto: Divulgação.

Além do riso e da lágrima, o longa cearense também explora elementos de outros gêneros ao longo de sua duração — característica que é marca da filmografia de Guto Parente desde os primeiros trabalhos, codirigidos com nomes como Ticiana Augusto Lima e Pedro Diógenes, até os mais recentes.

Em “Morte e Vida Madalena”, há não apenas a ficção científica do filme dentro do filme, mas também sequências que passeiam pelo suspense e pela fantasia. No longa, há sinais de “Inferninho” (2018) e de “Estranho Caminho” (2023), por exemplo.

A espécie de autorreferência, para colocar nestes termos, aponta para outra característica central da obra: a conexão dela com certa geração do cinema cearense, formada nos últimos 20 e poucos anos em meio a um contexto de fortalecimento de políticas públicas locais, estaduais e nacionais, como jamais visto nos anos anteriores. 

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Não é que “Morte e Vida Madalena” necessariamente referencie trabalhos de maneira direta e frontal, mas a obra ecoa, sim, os modos de fazer dessa geração, composta por diferentes nomes do elenco e da equipe. 

Entre os direitos e conquistas garantidas e as precariedades aparentemente inescapáveis ao modelo de investimentos estruturado no Estado, o filme brinca com situações e tropos comuns a produções independentes.

Vale, para encerrar, apostar em uma citação a um curta-metragem criado no contexto dos anos iniciais do importante coletivo cearense Alumbramento, no qual Guto e outros nomes do longa começaram a trajetória no audiovisual.

Ao evidenciar a importância da força criativa e das parcerias caras às produções feitas por aqui, "Morte e Vida Madalena" parece dizer, de certa forma: “Longa vida ao cinema cearense”.

Trailer de "Morte e Vida Madalena"

Sessão dupla especial 

Em cartaz nos cinemas desde a última quinta (17), "Morte e Vida Madalena" terá uma sessão realizada neste sábado (19), no Cinema do Dragão, a partir das 17 horas. Nela, haverá presença do cineasta Guto Parente e de integrantes da equipe, que abordarão temas e formas da produção com o público.

O momento ganha caráter mais especial porque, antes da sessão do novo filme do diretor, o cinema recebe sessão gratuita de "Inferninho" (2018), às 15h20. A obra é codirigida por Guto e Pedro Diógenes e foi criada em parceria com o grupo de teatro Bagaceira.

"Inferninho"

  • Quando: sábado, 19, às 15h20
  • Onde: Sala 1 do Cinema do Dragão (rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema)
  • Entrada gratuita.

Sessão com a presença da equipe de "Morte e Vida Madalena"

  • Quando: sábado, 19, às 17 horas
  • Onde: Sala 2 do Cinema do Dragão (rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema)
  • Quanto: R$ 8 (meia) e R$ 16 (inteira); à venda (com taxa) no site Ingresso.com

"Morte e Vida Madalena" - sessões regulares

  • Quando: domingo, 20, e terça, 22, às 14 horas e 19h50; e quarta, 23, às 13h40 e 19h50
  • Onde: Cinema do Dragão (rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema)
  • Quanto: R$ 8 (meia) e R$ 16 (inteira); à venda (com taxa) no site Ingresso.com
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