Beijo da discórdia: arbitragem brasileira está mal-amada?

Pikachu foi advertido com cartão amarelo por mandar beijos para torcida

Pikachu mandando beijo para torcida da Chapecoense
Legenda: Pikachu foi advertido por ironizar torcida da Chapecoense com um beijo
Foto: Reprodução/ Premiere

Mais um destes eventos que mexem um pouco com a gente. Falar de mais uma grande vitória do Fortaleza fora de casa, desta vez contra a Chapecoense, já foi bastante falado (veja os links abaixo). Mas não havia como deixar por menos mais um fato bizarro ocorrido no jogo do tricolor cearense.

O mesmo amarelo que foi dado para Fred, do Fluminense, que agrediu por duas vezes o atleta Ronald, do Fortaleza, foi dado para um beijo que Pikachu lançou em direção à torcida da Chapecoense.

O que já é algo por si só revoltante. Mas cabe o questionamento: a arbitragem brasileira está mal-amada? Não há outra impressão de uma advertência tão absurda tendo em vista o fato gerador.

Um beijo, uma pequena ironia, uma resposta, como faz parte do futebol. Já vimos comemorações com jogadores fazendo gesto de armas, metralhando o time e a torcida adversária. Já vimos arco e flecha disparado contra alguém no estádio, imitação de animais, jogo de video game, dancinhas provocantes. Nada disso foi advertido.

Mas um beijo é absurdo para arbitragem brasileira. Ou depende de onde parte o beijo? É a impressão que temos daqui. Não há nada que justifique o atleta Pikachu ter sido advertido com cartão amarelo.

É por essas e outras que o futebol brasileiro pode ser lançado às feras do desinteresse. O futebol nunca foi apenas as quatro linhas. O jogo quadrado e sem sal. Sempre teve tempero, sempre tem história para contar. Minar ou impedir que histórias sejam criadas e que cada partida tenha os seus elementos particulares é tirar a graça do esporte.