Em 2 meses de pandemia, Covid-19 vai do leste para o oeste da Terra

Às vésperas de completar dois meses da declaração de pandemia pela OMS, o novo coronavírus, que surgiu na Ásia, se desloca, com rapidez, para dominar o hemisfério ocidental, multiplicando saldo de mortes no continente americano

Acumulando quase 4 milhões de contaminações diagnosticadas e quase 270 mil mortes registradas em todo o mundo, a pandemia do novo coronavírus completa dois meses, na próxima segunda-feira (11). Nesse período, a ofensiva global da Covid-19, nome da doença respiratória de gravidade variável, se deslocou do lado leste para o oeste do globo terrestre, em um ritmo de contágios que surpreendeu autoridades, aproveitando-se das rotas de transporte multimodal e das temporadas de feriados (como o Ano Novo Chinês e o Carnaval, em março) e de alta estação turística.

Descoberto em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na província de Hubei, região central da China, o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2, nome técnico) avança, nas últimas semanas, pelos países do continente americano, enquanto na Ásia e na Europa alguns países já iniciaram o processo gradual de desconfinamento.

A rápida proliferação da síndrome, principalmente nos países da América Latina, deixa o mundo preocupado com o controle da doença, já que a estrutura de saúde pública nessa região é deficiente, o que prejudica os esforços de salvar vidas e também de retomar as atividades não essenciais, afetando o movimento de recuperação econômica de todo o Planeta.

"Está claro que o vírus saiu do oeste para o leste do Planeta. Estamos agora vendo isso nos dados", observou, ontem, Kit Juckes, estrategista do banco francês Société Générale, comentando, ontem, o recuo dos contágios em países como a China e Austrália.

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovam esse deslocamento da pandemia para as Américas, incluindo o Brasil como um dos epicentros da região, ao lado dos EUA, que lidera a lista de casos e óbitos no mundo.

Impulsionada pelo Brasil, a América Latina e o Caribe superaram, ontem, 300 mil casos do novo coronavírus, que causou a morte de 16.293 pessoas na região. No total, essa região já contabilizava 301.411 infecções.

A situação no Brasil, que é o epicentro da pandemia na América Latina, gera preocupação entre os países vizinhos, já que faz fronteira com 10 nações: Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Peru, Bolívia, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pediu que os países da região fossem "cautelosos" no que se trata de facilitar as medidas de confinamento e alertou que a transmissão "ainda é muito alta" no Brasil, Equador, Peru, Chile e México.

Espera-se que o pico da pandemia seja atingido nos próximos dias em diferentes partes do continente.

África

A África ainda é o continente menos afetado pela pandemia, mas inspira preocupação das autoridades. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que entre "83.000 e 190.000 pessoas na África poderiam morrer de Covid-19, e entre 29 e 44 milhões poderiam ser infectadas durante o primeiro ano da pandemia".

Este seria o balanço da doença "se as medidas de confinamento fracassarem", alertou um novo estudo do escritório regional da OMS para a África, segundo um comunicado.

"Esta pesquisa, baseada em modelos, abrange 47 países da região africana da OMS, o que supõe uma população total de um bilhão de pessoas", informa a máxima autoridade mundial de saúde.

"A taxa de contágio mais baixa sugere, no entanto, uma epidemia mais prolongada no tempo", segundo o estudo que também destaca que os pequenos países africanos situados perto de Argélia, África do Sul e Camarões "têm maior risco se não se priorizarem as medidas de confinamento".

Vários países adotaram medidas de confinamento que começam a suspender progressivamente ou pensam em fazê-lo. A Nigéria também suspendeu o confinamento em Lagos, a maior cidade da África, e a África do Sul aliviou as medidas há uma semana.

África teme ser cobaia de vacina

Com a Covid-19, a desconfiança da África sobre as vacinas ocidentais reapareceu e é alimentada por escândalos que marcaram a história do continente. As redes sociais africanas propagam alertas contra vacinas “envenenadas” que estariam sendo testadas na África “secretamente”.

Por conta disso, imagens com uma seringa riscada com o slogan “Não aos testes de vacinas na África” ou hashtags como #NãoÀVacinaNaÁfrica ou #NãoSouUmaCobaia invadem a web.

“Há uma longa história de desconfiança das vacinas nas África”, diz Keymanthri Moodley, diretor do Centro de Ética e Direito da Medicina da universidade de Stellenbosch (África do Sul). A OMS também é objeto de críticas nas redes, acusada de ser controlada pelos países ocidentais e pela indústria farmacêutica.

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