Preparo físico do Fortaleza não preocupa na volta do Brasileirão

Apesar do baixo número de atletas lesionados, Leão deve manter cautela no aspecto físico durante a maratona de jogos por 3 competições diferentes ao longo prazo. Série inicial no Brasileiro é teste para desempenho do grupo neste cenário

Legenda: Tricolor do Pici observou situação física do elenco durante intervalo entre Copa do Nordeste e Campeonato Brasileiro
Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC

A maratona do Brasileirão está prestes a começar para o Fortaleza. O Tricolor do Pici encara o Athletico/PR neste sábado (8), às 19h, no Castelão, e inicia uma campanha com um desafio a longo prazo: o desempenho físico de seu plantel ao longo da temporada. Depois de sequência de confrontos com a volta do futebol, outra ainda mais difícil bate à porta e pode preocupar o técnico Rogério Ceni.

Foram 6 jogos em um intervalo de 15 dias (entre 13 e 28 de julho), com 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota. O período de um mês e meio de treinos presenciais antes da volta aos jogos deixou apenas 3 atletas no Departamento Médico do clube: Osvaldo, Marlon e Nenê Bonilha. Durante o Clássico-Rei da 2ª fase do Estadual, Tinga se lesionou, mas retornou em menos de duas semanas. Destes, somente Bonilha continua em recuperação por pancada na coxa esquerda.

O número baixo de desfalques por questões físicas e seus rápidos retornos são pontos positivos para o Leão, que teve um período de 11 dias para focar em treinos específicos voltados para o início do Brasileirão. Essa pequena "folga" permitiu um melhor preparo para a equipe entre as maratonas de duelos, como aponta Danilo Augusto, preparador físico do Fortaleza.

"Após a Copa do Nordeste, tivemos um período satisfatório de treinamento visando o Brasileiro. Um trabalho voltada para potência foi a ênfase na questão física nesse momento. Conseguimos evoluir no aspecto técnico, tático, comportamental, e isso vai fazer toda a diferença no início de competição. Nesse período competitivo pós-paralisação, conseguimos observar a real aptidão física dos atletas e realizar ajustes para que todos comecem num ótimo nível quanto à essa condição", explicou o profissional.

Sem um elenco tão extenso para a disputa das 3 competições restantes na temporada, como já comentou Ceni, a rotação do elenco deve continuar ocorrendo para manter o nível de desempenho. O recurso do treinador era comum em 2019, quando repetiu a escalação inicial poucas vezes, e rendeu bons resultados, mostrando a consciência do grupo tricolor em suas funções e as de seus companheiros dentro de campo.

Para Edson Palomares, fisiologista do Leão do Pici, o pico de rendimento do plantel de Ceni não está próximo, e deve ser alcançado apenas no fim da temporada, durante o momento crítico em que a tabela do Brasileiro costuma ter.

"Departamento de fisiologia, juntamente com a comissão técnica, departamento médico, de fisioterapia, de nutrição, estão alinhados para executar com o máximo de perfeição nosso caminho no Brasileiro. Mas ainda temos a Copa do Brasil e a final do Cearense, não podemos esquecer. Podemos ter, no mínimo, 42 duas partidas e, no máximo, 50. Isso faz com que tenhamos cuidado muito grande na divisão das cargas de treino. Os atleta têm que estar em condição de render seu máximo. Mas é óbvio que esse 'máximo' vai subindo gradativamente. Aquilo que ele apresenta hoje, daqui a 2 meses será melhor, daqui a 4, melhor ainda e, no final da temporada, esperamos que atinja o pico, no momento mais importante. Sempre partindo de uma mínima de 75/80% de sua capacidade neste início de campeonato. Recebemos equipamentos novos de musculação, isocinéticos. São caros e o clube não poupou esforços para trazer", afirmou Edson.

Atletas como Osvaldo e David, que contam com explosões de velocidade e dribles no terço final como principal recurso de seus estilos de jogo, não voltaram com o mesmo ritmo de antes da paralisação. A equipe sentiu essa queda quando encara defesas bem fechadas, faltando o desequilíbrio que, às vezes, apenas o lance individual permite.

Por isso Ceni permanece batendo na tecla de um reforço mais criativo e outro mais incisivo/ousado para o elenco. Manter o padrão de jogo ao longo dos 90 minutos é um dos maiores desafios do futebol moderno, e o material humano precisa ser de grande qualidade para uma sequência.

 

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