Newton Filho explica planejamento e metas do Ferroviário para 2021

Com técnico definido, renovações no elenco e contratados, o Tubarão da Barra prepara-se para iniciar 2021 forte no dia 13 de janeiro, seu 1º jogo oficial

O presidente Newton Filho está há seis anos no clube, com parte do período como membro da diretoria coral
Legenda: O presidente Newton Filho está há seis anos no clube, com parte do período como membro da diretoria coral
Foto: Lenilson Santos / Ferroviário

Uma temporada de muitas expectativas, dificuldades financeiras e o sonho do acesso à Série B do Brasileiro adiado para 2021. O retrospecto é o do Ferroviário, que atravessa processo de reformulação após a chegada do técnico Francisco Diá. No cenário do planejamento, o presidente Newton Filho concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste e avaliou o ano coral, fornecendo também detalhes das metas da próxima temporada.

Com quatro reforços anunciados (goleiro Jonatan, zagueiro Richardson, volante Everton e atacante Caxito) e 15 remanescentes do plantel, Newton acredita na conquista da Fares Lopes, que se inicia em 13 de janeiro, para garantir vaga na Copa do Brasil.

Legenda: Newton Filho acredita na manutenção do elenco do Ferroviário para 2021
Foto: Lenilson Santos / Ferroviário

Confira entrevista

DN: Como está o planejamento para o ano que vem com a chegada do técnico Diá? 

"O ano de 2020 foi atípico, de pandemia, e 2021 está batendo à porta, com uma competição já no dia 13 de janeiro. A Taça Fares Lopes que é uma competição de 2020, mas terá início em 2021, é desafio muito grande, pois não teremos tempo hábil para uma pré-temporada. Mas este é o desafio que temos e estamos em pleno planejamento de elenco, tentando fazer da melhor forma possível para começar bem e seguir forte, fazendo um bom ano em 2021".

DN: Vocês chegaram ao nome do Diá logo? Como foi a escolha dele como técnico do Ferroviário? 

"O Diá já tinha sido um nome pensado em outras oportunidades e, após a saída do Vilar, foi um dos primeiros nomes, mas surgiram outros, pois o Diá estava no ABC na Série D, e quando o time foi eliminado a negociação foi concretizada. Ele já trabalhou com o nosso diretor de futebol no Icasa, fez uma brilhante campanha, e isso facilitou o pensamento em torno do nome dele".

DN: A chegada do Diá acelera o planejamento, com indicação de jogadores e também busca por mais reforços no Tubarão da Barra? 

"O Diá é um técnico experiente, vitorioso, tem um bom olho. Ele chegou no dia 22, mas já estava trabalhando com alguns nomes. Estamos em plena formação do elenco, e no futebol não dá pra dizer que teremos um grupo já fechado. Teremos muitas competições, Fares Lopes, Estadual, Série C e talvez Copa do Brasil. Entre uma competição e outra podemos ter mudanças, chegadas, saídas, é natural na dinâmica do futebol".

DN: Jogadores como Vitão, Genivaldo e André Mensalão foram mantidos. O clube ficou com todos os jogadores que queria? Alguns destaques como Willian Lira, por exemplo, não ficaram. 

"São várias as situações. Tem jogadores que já tinham contrato mais longo, como o Reinaldo, Liniker, Luis Henrique e Júlio Batista. Outros jogadores eram de interesse nosso. Renovamos com alguns, outros tivemos que liberar como o próprio Willian Lira, que veio por empréstimo e tem proposta do exterior. Outras saídas foram opção do clube. Os que ficaram nos fizeram manter uma base interessante para começarmos. Diferente de 2020 que reformulamos o elenco, renovando 100%".

Legenda: O Ferroviário deixou a Série C na 1ª fase, sem conseguir o sonhado acesso à 2ª divisão
Foto: Kid Júnior

DN: O ano de 2020 vai impactar em 2021 reduzindo folha salarial ou forçando um investimento menor?

"O impacto financeiro sempre existe. Não temos campeonato com cotas definidas. Não podemos nos dar ao luxo de repetir os erros de 2020, renovamos 100% do elenco e houve erro no planejamento. Passaram pelo Ferroviário 56 jogadores, e cerca de 28 rescindiram. Em uma conta básica, temos R$ 400 mil de prejuízo. São erros, não podemos cometer neste ano. No início, queremos minimizar as margens de erro. Em 2020, tivemos situações que têm um impacto diretamente no planejamento financeiro, perda de receitas, diminuição do sócio-torcedor, a não presença de público, são receitas que os clubes estão sentindo. É difícil até planejar 2021 sem saber quando o público vai retornar".

DN: O ano de 2021 deve ser mais difícil do que 2020?

"Sempre será uma dificuldade. Estou há 6 anos no clube, dentro de diretoria, e sempre foi de muita luta na questão financeira. Cabe à gestão buscar pelo recurso, se reinventar, formar um bom elenco, que possa traduzir em campo a força que o Ferroviário tem. A tradição, a marca forte de 87 anos. Com um bom elenco tudo é possível".

DN: A Taça Fares Lopes está próxima e dá uma vaga na Copa do Brasil. E o Ferroviário tem um exemplo recente de quanto uma participação viabiliza uma temporada. O clube investirá para conquistá-la? 

"É uma competição excelente, mas está feita de forma apressada, sem tempo suficiente para se preparar. São 13 dias de pré-temporada até o início. O Ferroviário entra para ganhar a competição sim, ela é muito importante porque dá vaga na Copa do Brasil e possui premiações altas". 

DN: O Ferroviário sentiu muita a falta do Elzir Cabral ao ser impossibilitado de jogar na Arena Castelão durante a Série C. O clube projeta jogar em casa em 2021? 

"O Ferroviário tem se planejado para isso, para deixá-lo apto (para receber jogos oficiais). A Taça Fares Lopes e algumas (partidas) do Campeonato Cearense devem receber jogos no estádio Elzir Cabral. Estamos fazendo algumas intervenções e o gramado está bom. O Elzir Cabral estava recebendo intervenções, como instalação de energia solar e não pôde receber jogos. Sem dúvida, a saída do Castelão nos prejudicou na Série C e irmos para Horizonte para um gramado sem condições de jogo nos atrapalhou muito".

Legenda: Francisco Diá estava no comando do ABC antes de fechar com o Ferroviário
Foto: Luciano Marcos / ABC

DN: O foco principal da temporada será a Série C, com a conquista do sonhado acesso para a Série B? 

"São etapas. Primeiro é a Fares Lopes, importante vaga na Copa do Brasil, depois tem o Estadual. Uma não exclui a importância da outra. Ir trabalhando a cada competição, todas com suas características". 

DN: As duas campanhas na Série C ficam de lição. No terceiro ano seguido, algo pode ser feito diferente? 

"Foi importante a consolidação na competição. E isso faz entendê-la melhor, sua característica. Temos que disputar um campeonato nacional mais regular, diferente dos dois anos anteriores. Tivemos grande ascensão no começo e queda na 2ª parte, foram por fatores diferentes, mas em 2021 queremos um campeonato mais regular durante toda a campanha coral".

DN: Em 2021, o clube vislumbra um Estadual difícil, com Ceará e Fortaleza como favoritos? O torcedor coral quer muito a quebra do jejum de títulos estaduais. É uma meta vencer o Campeonato Cearense e quebrar o jejum de 25 anos? 

"É sem palavras conquistar um título estadual. É isso que a gente busca. Mas o título estadual está ligado ao fortalecimento do Campeonato Brasileiro, nos torneios nacionais. São competições que te propiciam recursos financeiros maiores. Hoje a diferença de orçamento para os nossos rivais é gigantesca, mas o futebol se decide em campo. O Ferroviário, vai participar do Estadual buscando o título, como nas demais competições. Será difícil, pois se trata de investimentos, orçamentos diferentes, mas vamos em busca de um título, que se vier será formidável".

Quero receber conteúdos exclusivos de esporte