Fortaleza Basquete Cearense quer se 'reinventar' para voar mais alto no NBB
Após a última temporada, equipe já se organiza para sequência no NBB
Resultados abaixo do esperado, desafios orçamentários e lesões. Esses foram alguns dos motivos que levaram a última temporada do Fortaleza Basquete Cearense ser abaixo do esperado pelo clube. Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, Thális Braga, presidente da equipe, credita o insucesso por uma combinação de fatores, incluindo lesões de jogadores importantes e a dependência de patrocínios na parte financeira.
Apesar dos obstáculos, o clube planeja a próxima temporada com o objetivo de retornar aos playoffs, buscando novos parceiros financeiros e mantendo a base do elenco e comissão técnica. No bate-papo, ele também destaca a relação de parceria com o Fortaleza Esporte Clube, o legado social do basquete no Ceará e a ambição de Thális de conquistar um título nacional e solidificar o projeto a longo prazo.
"Em relação à última temporada, sendo bem objetiva, a gente não ficou satisfeito com o resultado, resultado técnico principalmente. O nosso time tem como meta básica para cada temporada do NBB que disputa pelo menos chegar a fase de play-offs, que infelizmente esse ano foi algo que não aconteceu", destacou. "O que eu assim vejo como um impacto muito importante que tivemos nessa temporada, foi uma lesão precoce de um dos atletas protagonistas da nossa equipe, o Dexter McClanahan, um americano que veio para fazer a diferença, já foi cestinha geral da Liga Nacional e uma contratação que também não trouxe os efeitos que a gente esperava do Dominique Coleman, outro americano. Portanto, havia uma expectativa de por ser um estrangeiro trazer também um impacto maior. Ele tava vindo de uma lesão no ligamento cruzado anterior e acabou não trazendo o impacto que a gente imaginava. Com isso, todo o planejamento da temporada precisou ser refeito", lamentou.
Ao longo do ano, a questão orçamentária fez parte também do contexto das dificuldades que o clube enfrentou. Thális explica que a fonte de recurso da equipe vinda de patrocínios em sua totalidade.
" A gente acaba dependendo exclusivamente dos patrocínios, que são a principal fonte de receita. E nessa constituição você sempre tem uma construção de orçamento previsto versus o orçamento realizado. O realizado é o que você realmente consegue captar de recurso ao longo da temporada e, nesse ano, nós tivemos muita dificuldade com alguns parceiros que até então vinham nos apoiando e esse ano por diversos motivos ou não continuaram no projeto, ou cortaram recurso para um valor muito baixo. Isso nos pegou de surpresa. Valores que nós tínhamos provisionado o nosso orçamento e que isso infelizmente não aconteceu. Então isso foi algo que nos trouxe problemas ao longo da temporada com os atletas de pagamentos, chegamos realmente a ter valores atrasados. Hoje estamos em negociação para quitar esses valores até o fim da temporada regular, que termina em junho, até porque a Liga Nacional não permite você ter dívidas para começar a próxima temporada, o que traz bastante segurança para os atletas", disse.
RELAÇÃO COM O FORTALEZA
A relação entre o Basquete Cearense e o Fortaleza Esporte Clube é descrita como uma parceria extremamente saudável, de muita confiança e transparência. Essa colaboração começou há cinco temporadas, quando o time passou a se chamar Fortaleza Basquete Cearense, e iniciou por intermédio de Marcelo Paz, que era presidente do Fortaleza na época. Atualmente, a parceria é gerenciada pela Fortaleza Associação, sob a liderança de Rolim Machado e seus principais diretores. É fundamental esclarecer que o Fortaleza é um parceiro e não o proprietário da franquia no NBB, que continua sendo de propriedade do Basquete Cearense.
"No dia a dia, a parceria funciona com "reuniões periódicas de apresentação de resultados" com a Fortaleza Associação, onde são traçados "objetivos em comum para essa temporada". No entanto, "toda a gestão executiva do basquetebol é tocada é por nós do basquete cearense", incluindo a "parte de contratação de equipe, gestão de elenco". O Fortaleza contribui "com a marca" e "com uma cota financeira, que é uma cota e dentro do da nossa estrutura ainda importante que se mantenha". Esses valores "sempre vem sendo revistos a cada ano" e são definidos "por temporada". Há "total autonomia e abertura para dividir com eles", caso o auxílio do Fortaleza Esporte Clube seja necessário, mas a responsabilidade da condução é do Basquete Cearense", disse Thális.
PENSANDO NO FUTURO
O foco da equipe agora é honrar compromissos financeiros para começar a organizar os planos para a próxima temporada. Segundo Thalis, o time tem até dia 17 de julho para comprovar para a Liga Nacional de Basquete suas garantias financeiras para disputarem o próximo NBB.
"Esse momento é um momento de renovar os contratos que nós temos com patrocinadores, buscar novos parceiros para dentro do negócio. É uma fase que você constrói as bases para montagem de elenco, contratação de atletas, comissão técnica. E eu tenho feito isso com bastante prudência, com bastante calma, né, sem dar um passo maior do que as pernas, mas entendendo que nós temos e o relógio correndo contra a gente", enfatizou.
"Então, o que a gente quer é que os parceiros que acreditam no projeto, que eles confirmem essa crença, essa credibilidade na gente com a antecedência que nós precisamos para poder trabalhar com calma, né? Para poder honrar todos os compromissos, para poder seguir representando o estado do Ceará e, enfim, performar no nível que a gente já fez anteriormente e que a gente sabe que é capaz de fazer novamente", disse.
A temporada 2025-2026 da NBB está prevista para começar em outubro.