Bate-Papo com os Craques: Ídolo tricolor, Dude revela curiosidades e as origens no Fortaleza; ouça

O "Bate-Papo com os Craques", que já faz sucesso na Verdinha, vai marcar presença todos os domingos também no Diário do Nordeste com uma entrevista especial. Dude é o personagem desta semana

Legenda: Dude é sempre reverenciado como um dos jogadores de maior raça e amor à camisa pelo Fortaleza Esporte Clube
Foto: Foto: Thiago Gadelha

Os ídolos no futebol estão cada vez mais vagos na definição. A construção da imagem ultrapassa apenas os resultados dentro de campo, idolatria é ligação e identidade. Na última terça (4), o ex-volante Dude, do Fortaleza, completou 45 anos de idade com uma carreira dedicada ao tricolor.

Chega um momento que é preciso passar carreira a limpo e nesta semana de aniversário o cearense de Jaguaruana foi entrevistado pelo programa "Bate-Papo com os Craques", da Rádio Verdes Mares. Marcos Pereira da Silva, natural de Jaguaruana, foi sete vezes campeão cearense e duas vezes vice-campeão da Série B do Campeonato Brasileiro. 

Ouça ou leia a entrevista na íntegra

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Você se considera esse ídolo que o torcedor desenha de você?

Você sair do interior do estado do Ceará, de Jaguaruana, cidade de 35 mil habitantes e você construir uma história como a que eu construí no Fortaleza, é gratificante e prazeroso. Quando eu fui para o Fortaleza em 1999, disputar a Série C, eu jamais imaginei passar tanto tempo no clube e principalmente, ser esse ídolo que o torcedor me transformou. É uma satisfação imensa participar dessa história, desse clube tão grandioso que é o Fortaleza.

De onde foi que surgiu o Dude? Como você saiu de Marcos Pereira para Dude?

Nem eu sei te explicar direito de onde saiu esse Dude. Se eu fosse Marcos Eduardo, poderia encaixar o Dude, né?!. Não sei explicar de jeito nenhum... se você chegar aqui em Jaguaruana e perguntar quem é Marcos Pereira, realmente ninguém vai saber quem é, mas Dude todo mundo vai saber quem é. Um dia eu descubro de onde saiu e conto pra vocês.

Como foi a sua trajetória profissional de carreira e como chegou ao Fortaleza?

Eu sempre consegui me destacar na cidade (Jaguaruana), mas quase não consigo realizar meu sonho profissional. Pouco antes de me profissionalizar, eu tive uma fratura no tornozelo e passei quase um ano parado e me recuperando, achei que não iria voltar mais a jogar futebol. Depois desse ano, recebi um convite do América de Russas, meu primeiro clube como profissional. Mas depois de 1997, o presidente do clube não conseguiu manter o clube e liberou todos os atletas. Voltei para Jaguaruana, então recebi um convite do Esporte Clube Limoeiro, onde fiquei de 1997 a 1999. Cheguei ao Fortaleza depois do Cearense de 99, naquela época, o clube, pela dificuldade financeira, buscava muitos jogadores que se destacavam no estado, pelo Itapipoca, Quixadá, Limoeiro, para disputar a Série C. Na época, haviam dois meninos do Limoeiro que foram para clube com contrato certo, eu, pedi para fazer um teste, no fim, quem tinha contrato foi dispensado e quem fez o teste, que foi o meu caso, permaneceu no Fortaleza. Parecia o destino.

Na sua carreira você se profissionalizou de forma tardia, aos 21 anos de idade. Você acha que isso te atrapalhou por ter começado "velho" no futebol?

Outro problema que eu tive, foi também o trabalho de base. Não passei por essa fase, pois é na base onde você trabalha fundamentos, a parte tática, tive muitas dificuldades porque eu tive que aprender tudo no profissional. Hoje a maioria dos garotos que estão iniciando já tem empresário nas categorias de base e eu nunca tive empresário, foi uma grande dificuldade como profissional, eu mesmo quem resolvia as minhas coisas.

Precisar se destacar no clube do interior e ganhar oportunidade em Fortaleza ou Ceará era um caminho mais fácil que o momento atual. Você tinha um sonho de jogar no Fortaleza, se destacar no Limoeiro e vir para capital ou só queria jogar futebol mesmo, sem pensar no que poderia acontecer?

Quando você enfrentava Ceará, Fortaleza ou Ferroviário, o jogador do interior se doa ainda mais em campo para se destacar e ganhar uma oportunidade. Em 1999, quando fui para o Fortaleza, foi por empréstimo e eu não recebi nenhum centavo durante os quatro meses que fiquei. Quando Flávio Araújo assumiu Fortaleza em 2000, ele já me conhecia e queria a minha contratação. Na época, o diretor de futebol era o Rochinha que entrou em contato com presidente do Limoeiro, o De Assis, eles entraram em acordo e assinei contrato com Fortaleza. Eu até briguei com presidente do Limoeiro porque ele me questionou o motivo de eu querer voltar para o tricolor pelo fato de eu não ter recebido um centavo. E eu tinha meus motivos, principalmente por ser um time grande da capital.

Você nunca foi de fazer muitos gols. Um dos mais marcantes foi contra o São Caetano em 2003, pela Série A, o que explicar aquela "sapatada"?

Eu não era de fazer muitos gols e modéstia a parte, quando eu fazia, era até bonito. E se eu disser que chutei aquela bola para entrar naquele canto, eu estaria mentindo. Mas a construção dela foi legal e eu já tinha observado que o goleiro Silvio Luiz fazia muitos lançamentos com as mãos porque ele tinha muita força. Nós batemos o escanteio e o Silvio Luiz pegou com as mãos, então fiz a leitura da jogada que ele iria tentar puxar o contra-ataque lançando no Adhemar, me antecipei, dei três toques e pensei: "rapaz... vou chutar!" Arrisquei e consegui fazer o gol, foi até eleito o 'gol do internauta' na época.

O que Fortaleza representa na sua vida, como jogador, cidadão e na formação como ser humano?

Tudo eu agradeço ao Fortaleza. Hoje, sou ídolo do clube pelo que fiz e a minha história. Deixei meu legado. O Fortaleza foi a minha vida, meu tudo, agradeço demais ao clube, apesar que... o meu sonho era ter parado a carreira no Fortaleza, mas infelizmente não realizei esse sonho. Em 2009 foi o ano que saí do clube, o presidente era o Renan Vieira e o diretor era o Sérgio Papelin, então fiz uma proposta pra eles de baixar o meu salário e quem sabe, contrato até o fim do cearense, mas não aceitaram e acharam que eu tava ultrapassado. Mas amo e agradeço tudo que tenho e sou ao Fortaleza Esporte Clube.

 

 

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