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Clientes devem migrar para bancos que adiarem aumento

A Coopercon-CE vem buscando alternativas com outras instituições para minimizar os impactos no mercado

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 00:00, em 26 de Abril de 2015)

Com a Caixa Econômica Federal (CEF) aumentando os juros para financiamento imobiliário mais uma vez, a expectativa é que os outros bancos sigam o mesmo caminho e também elevem suas taxas. A própria Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou, recentemente, uma nota afirmando que o movimento "deverá ser seguido", o que ainda não foi observado no mercado.

Segundo alguns representantes do mercado, se as instituições adiarem esse aumento um pouco mais, elas serão bastante beneficiadas com a chegada de novos clientes, já que deve acontecer uma certa migração dos usuários da Caixa, principalmente para instituições privadas.

"A Caixa Econômica que vai acabar perdendo com esse segundo aumento no ano. O Itaú, por exemplo, passou a ter algumas taxas mais atraentes que ela, assim como o Bradesco, que já possui condições iguais em vários aspectos. O Banco do Brasil deverá ser bastante beneficiado", opina o presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), Marcos Novaes. De acordo com ele, o mercado não é "refém" da Caixa e tem tudo para superar esse reajuste.

Parceria com Santander

Ainda segundo Marcos Novaes, a Coopercon-CE já está tomando medidas para minimizar os impactos do aumento dos juros da Caixa no mercado imobiliário em várias regiões do Brasil. Conforme diz, no próximo dia 20 de maio, a cooperativa, que reúne 103 construtoras em oito estados brasileiros, vai assinar um contrato com o Santander para que haja uma oferta de crédito diferenciada para os filiados.

"Eles concordaram em oferecer, para todos que fazem parte da Coopercon, condições especiais até o final deste ano, com taxas inclusive melhores que a Caixa", explica. "Temos o maior poder de barganha do País e fizemos isso valer. Tenho certeza que será uma grande parceria", complementa.

O presidente da Coopercon-CE aproveitou para criticar fortemente o novo aumento de juros promovido pela Caixa, classificando a ação como "medida inibitória".

Controle da inflação

Na opinião dele, o governo está muito preocupado com o controle inflacionário, querendo evitar novos endividamentos, mas não tem tomado providências que atinjam "sua própria pele".

"Eles deveriam estar preocupados em reduzir orçamentos públicos, cortar o número de ministérios e combater a corrupção no País. O foco, porém, está sendo restringir a atividade empresarial", condena Marcos Novaes.

Impacto

Assim como o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), a Coopercon-CE afirma que a medida atingirá em cheio o mercado imobiliário nacional, já que a maioria das praças do País está com estoque de empreendimentos construídos, mas que, no Ceará, o impacto será menor.

"Temos feito, ao longo dos últimos anos, um forte trabalho de conscientização para que as construtoras só apostem em novos empreendimentos quando houver demanda. Dessa forma, nosso mercado segue equilibrado", conclui o presidente da cooperativa.

Parceria

No mês passado, aliás, a Coopercon e o Sinduscon lançaram, em parceria, duas publicações para dar mais informações do mercado aos construtores: Guia Regional para Elaboração de Áreas Comuns e o Guia Regional para Elaboração do Manual do Proprietário. Na ocasião, foi destacado a importância da construção civil cearense te acesso a conteúdos fundamentais ao dia a dia das incorporadoras. (AL)

Compradores já sentem o peso no bolso desde março

Apesar de oficialmente ter anunciado "apenas" dois aumentos de juros do crédito imobiliário em 2015, a Caixa Econômica Federal (CEF) tem elevado suas taxas ao longo deste ano, aponta uma pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), que analisou quanto subiram, em março deste ano, os custos em relação a junho de 2014. Para quem pretendia comprar um imóvel de R$ 800 mil, por exemplo, o valor do financiamento subiu quase R$ 113 mil, com reajuste de 8,23% para as pessoas com 35 anos e que pretendem pagar em 30 anos.

A Proteste ressalta, inclusive, que houve aumento expressivo dos juros na maioria dos bancos. Porém, no perfil citado, a Caixa foi a instituição com a maior diferença em pontos percentuais. Para quem tem relacionamento mais conta salário com o banco, os juros aumentaram em 1,5 ponto percentual.

No caso das pessoas que não possuem ou não querem nenhum tipo de relacionamento com a Caixa, essa diferença ficou maior ainda, em 1,81 ponto. Dessa forma, o Custo Efetivo Total (CET) aumentou também, o que torna, segundo a Proteste, o banco HSBC a melhor opção para quem quer adquirir um imóvel de R$ 800 mil, pois tem o menor CET do perfil em questão.

SFI impactado

A alta do CET foi muito maior para os imóveis financiados pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que envolve financiamentos com valores superiores a R$ 750 mil para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, ou R$ 650 mil para Fortaleza e demais estados.

Para ajudar o consumidor a escolher o melhor financiamento, a Proteste conta com um simulador, disponível aos associados. É possível saber quais bancos têm as taxas mais baratas segundo cada perfil, uma ajuda para economizar com uma opção que caiba no bolso. (AL)

Áquila Leite
Repórter

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