Polícia de Goiás prende 19 estudantes de Medicina suspeitos de fraude para entrar em universidade

Muitos deles já estavam na fase de internato, atendendo à comunidade, mesmo sem nunca antes ter cursado Medicina. Grupo teria agido em conjunto

Na imagem, a Polícia utiliza uma van da Universidade de Rio Verde para levar suspeitos para a delegacia.
Legenda: Os suspeitos foram encaminhados à delegacia na van da Universidade de Rio Verde, em Goiás.
Foto: Reprodução/G1

A Polícia Civil de Goiás prendeu 19 estudantes de Medicina suspeitos de fraudar quase 80 históricos escolares e outros documentos para conseguir transferência para a Universidade de Rio Verde, no sudoeste do Estado.

Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, mas, segundo o G1, foram presos 17 em Goianésia, um em Formosa e um em Barreiras, na Bahia.  

Chama atenção que oito dos suspeitos têm vínculos fortes. Quatro por serem da mesma família (uma mulher, o irmão dela e os dois filhos) e outros quatro por serem dois casais. 

De acordo com o delegado Danilo Fabiano, que esteve à frente do caso, a maioria dos investigados estudava no Paraguai. Porém, eles fraudaram documentos para parecer que estudavam em outras universidades brasileiras. “As instituições que foram alvo da falsificação informaram que eles nunca estudaram lá”, contou Fabiano ao G1

A investigação policial apontou ainda que muitos dos suspeitos nunca chegaram a estudar Medicina e, mesmo assim, pediram transferência para o quinto ou sexto período do curso. Muitos também já estavam na fase de internato, atendendo à comunidade. 

Um dos suspeitos foi capturado em Barreiras, na Bahia, já estudando em outra universidade. No entanto, ele também compunha o grupo que falsificou documentação em Goiás.  

Investigação 

Conforme o G1, a Universidade de Rio Verde contou que identificou “fortes evidências de fraude documental” praticada por alguns dos candidatos à transferência. Foi a própria universidade, aliás, que confirmou a fraude com as outras instituições de ensino. 

O caso, então, foi informado pela universidade à Polícia Civil, que pediu que fosse continuado o processo de transferência enquanto eram feitas as investigações.

Concluído o trabalho policial, os suspeitos foram levados para a delegacia, onde devem responder por falsidade ideológica, uso de documento falso, associação criminosa e perigo à vida de outras pessoas. Eles também devem ser desligados da universidade. 

A Polícia Civil, porém, deve continuar investigando se outros estudantes utilizaram a mesma técnica fraudulenta para ingressar em universidades de Goiás. 

Fraudes 

A Polícia contabiliza pelo menos 80 históricos escolares fraudulentos e oito universidades de medicina do País que tiveram seus nomes envolvidos no esquema. 

Parte dos estudantes ainda havia conseguido bolsas de estudo pagas pelo Governo. 

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o Brasil