Padre e enfermeiro mantinham relações sexuais em instituto religioso de Brasília, diz site

Arquidiocese de Brasília se posicionou contrária à permanência do pároco no território da capital federal

Instituto Bíblico Divino Mestre.
Legenda: Instituto Bíblico fechou neste mês de junho, segundo o Metrópoles.
Foto: Reprodução/Metrópoles

Um enfermeiro que, durante dois anos, prestou serviços ao Instituto Bíblico de Brasília, denunciou à arquidiocese da capital federal ter tido um caso com um padre que, à época, entre 2019 e 2021, era conselheiro e professor de hebraico e latim na unidade. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles.

O enfermeiro entregou à arquidiocese um dossiê com vídeos e conversas trocadas com o pároco num aplicativo de mensagens instantâneas. Procurado pelo Metrópoles, o padre Brás Costa negou ter mantido relações sexuais com o enfermeiro, dentro ou fora do Instituto. No entanto, o arcebispo de Brasília, dom Paulo Cezar Costa, já se manifestou contrário à permanência dele no território da arquidiocese.

"Dom Paulo Cezar já pediu providências ao bispo de Lugano, na Suíça, informando sua decisão contrária à permanência do padre Brás Ivan no território da arquidiocese de Brasília. Além disso, o arcebispo de Brasília continuará empenhando todos os esforços, dentro de suas competências canônicas, para resolver a situação", informou, em nota, a arquidiocese.

No texto, a instituição explicou que Brás Costa não faz parte do clero de Brasília e que a responsabilidade sobre a situação canônica e religiosa do padre compete à diocese suíça, onde ele foi ordenado.

Rede sexual

De acordo com o enfermeiro e ex-funcionário do Instituto Bíblico, Brás Costa se aproximou dele tecendo elogios ao seu padrão físico e apalpando seus braços, nádegas e órgãos genitais.

“Quase todos os seminaristas do instituto sabiam [do caso] e muitos participavam das 'sessões de sexo'. Eu acabei cedendo às investidas”, disse o rapaz ao Metrópoles.

Segundo o enfermeiro, as relações sexuais se estendiam a outros religiosos do Instituto, que movimentavam uma "rede sexual" no local com chantagens, coação, ameaças e a garantia de emprego em troca de sexo. “Ficava muito claro que eu poderia perder o meu emprego caso não aceitasse. Isso acabou com a minha vida. Tive depressão e até tentei suicídio”, relatou o profissional da saúde.

O rapaz contou que não havia dia nem hora para satisfazer os desejos sexuais do padre. “Tudo era combinado pelo WhatsApp e, em alguns momentos, eu recebia dinheiro do padre Brás”.

Troca de mensagens

O Metrópoles teve acesso às mensagens trocadas entre o enfermeiro e o padre. São, principalmente, combinações de encontros e escambo de vídeos e fotos de órgãos genitais.

Num dos diálogos, Brás pergunta: "Tem coragem num quarto desse, não?". O enfermeiro responde: "Nossa, não, não, até porque dom Terra chama toda hora". E o pároco replica: "Seria uma aventura".

Print de uma mensagem trocada entre o padre e o enfermeiro.
Legenda: Padre e enfermeiro trocavam mensagens pelo WhatsApp.
Foto: Reprodução/Metrópoles

Antes de negar ter mantido relações sexuais com o enfermeiro, o padre disse que ele havia tentado chantageá-lo com os materiais. "Ele prestou serviço no Instituto e, há alguns meses, quis me extorquir com essas fotos. Como não cedi, ele procurou a imprensa", disse. Além disso, confrontado com o vídeo em que elogia o órgão genital do enfermeiro, Brás respondeu que "só disse que [o órgão dele] era bonito". Depois, encerrou a conversa.

Instituto fechou

Conforme o Metrópoles, o Instituto Bíblico encerrou suas atividades no último dia 12 de junho. Desde então, padre Brás exercia funções eclesiásticas numa paróquia do Riacho Fundo.

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