'Achei que a justiça fosse ser feita', diz mãe de menina de 11 anos que teve aborto dificultado

A garota catarinense chegou a ser colocada em um abrigo para não abortar

foto de menina de 11 anos em audiência. rosto está borrado.
Legenda: Em audiência no mês de maio, a menina teria sido induzida a não prosseguir com o aborto, o que juíza chamou de "homicídio"
Foto: Reprodução

A mãe da menina de 11 anos que engravidou vítima de estupro de vulnerável em Santa Catarina falou pela primeira vez sobre o caso da filha, que teve o aborto legal dificultado e quase impedido. Em entrevista ao Fantástico neste domingo (11) ela falou sobre como a Justiça tentou que a garota continuasse com a gravidez. A menor chegou a ser colocada em um abrigo para não interromper a gestação. 

"A gente procurou fazer tudo dentro dos comandos. Achei que a justiça fosse ser feita, né?", desabafou a mulher, que teve a identidade preservada. 

A mulher ainda se diz "grata pela saúde da minha filha e também por um pouco de justiça". No entanto, ela assume que o momento é difícil: "Eu não vou falar para a senhora [repórter do Fantástico] que eu estou feliz. Eu não estou feliz. A gente está passando por um processo complicado", diz.

Aborto adiado 

O caso da garota foi divulgado na última segunda-feira (20) pelo Portal Catarinas e pelo The Intercept. Em audiência gravada por vídeo, a juíza Joana Ribeiro Zimmer pergunta à menor se ela podia continuar com o bebê por "uma ou duas semanas": "Suportaria ficar mais um pouquinho?".

Durante a entrevista, a mãe ainda conta a experiência vivia no dia da audiência, que era para decidir se a menina sairia do abrigo. O aborto legal já havia sido autorizado judicialmente, mas a juíza e uma promotora estavam sugerindo a continuação da gravidez. A mulher se desesperou.

"Chorei, me desesperei, gritei dentro do fórum. Até chamada de desequilibrada eu fui. Nenhuma das vezes que a gente foi, nenhuma das instâncias, eu fui ouvida", relata. Sobre os mais de 40 dias longe da filha, ela é certeira: "Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida". 

"Se eles queriam preservar tanto a minha filha, era algo que não deveria ter sido perguntado para ela. Eu acho que eu deveria responder por ela, não ela", avalia a mãe da menina.

Elas tiveram de ir à Justiça depois do aborto ter sido negado em um hospital de Florianópolis, com a alegação de que o feto já havia passado das 20 semanas. O aborto é legal no Brasil em caso de estupro e não é condicionado ao tempo gestacional. 

A menina conseguiu realizar o aborto na quarta-feira (22). com 29 semanas. O procedimento ocorreu no Hospital Universitário (HU) Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o mesmo que inicialmente não aceitou. 


 

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