Bolsonaro ganha título de ‘cidadão honorário’ de cidade na Itália; grupo contrário protesta

Proposta partiu da prefeita de Anguillara Veneta, Alessandra Buoso, onde teria nascido o bisavô do presidente. Concessão não foi tão bem aceita

Imagem mostra o presidente Jair Bolsonaro retirando a máscara de proteção contra a Covid-19.
Legenda: Sessão que discutiu a concessão do título de "cidadão honorário" de Anguillara Veneta a Bolsonaro aconteceu no dia em que a CPI da Covid-19 propôs o indiciamento do presidente por dez crimes cometidos durante a pandemia.
Foto: Sergio Lima/AFP

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), tornou-se “cidadão honorário” de Anguillara Veneta, uma cidade pequena da Itália. A concessão do título, proposto pela prefeita Alessandra Buoso, foi aprovada nesta segunda-feira (25). A decisão, porém, não foi bem aceita. Um grupo de manifestantes protestou do lado de fora da Câmara Municipal de Anguillara no momento da votação sobre a honraria. Informações são da agência Ansa Brasil

Segundo a agência, Buoso quis dar o título a Bolsonaro porque um bisavô dele nasceu na cidade. No Twitter, o deputado ítalo-brasileiro Luis Roberto Lorenzato, do partido de ultradireita Liga, divulgou um comunicado escrito pela prefeita, celebrando a concessão. 

No texto, ela conta que a prefeitura foi contatada por “expoentes brasileiros” dizendo que pesquisas confirmaram a descendência italiana de Bolsonaro. “Pavimentada a possibilidade de uma visita diplomática brasileira, de comum acordo entre as partes, como sinal de reconhecimento, pensou-se em conferir a cidadania honorária”, justificou a gestora. 

Críticas 

A concessão do título de cidadão honorário a Bolsonaro teve nove votos favoráveis e três contrários na Câmara Municipal de Anguillara.  

A sessão convocada pela prefeita Buoso para discutir a honraria foi marcada justamente para a última quarta-feira (20), dia em que, no Brasil, a CPI da Covid-19 propôs o indiciamento do presidente por crimes cometidos no enfrentamento à pandemia no País. 

Do lado de fora da Câmara, manifestantes exibiam cartazes com “vergonha” escrito. 

Dentro da casa legislativa, segundo a Ansa, parlamentares de oposição, como o vereador Antonio Spada, alegavam que a homenagem representava um “prejuízo aos cidadãos de Anguillara e uma afronta às vítimas da pandemia de Covid-19 no Brasil”. 

“Estamos falando de uma pessoa que deve responder a acusações em tempos de pandemia e continua com uma política negacionista e contra a vacina, que sempre demonstrou falta de respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente e que é artífice de escolhas que fizeram retornar o desespero e a fome no Brasil”, destacou o vereador Fabrizio Biancato, também de oposição. 

Buoso reagiu às críticas e disse se sentir “profundamente perturbada” pelo fato de a honraria ser “distorcida e manipulada para fins políticos”. Alegou: “Não queremos entrar nos aspectos políticos porque não é nosso papel nem nossa vontade, queremos apenas recordar que os laços entre essas duas nações são extremamente fortes”. 

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