Mais de 70 bebês nascem com anticorpos para a Covid-19 em Minas Gerais, aponta pesquisa

Casos identificados em pesquisa da UFMG foram nas cidades de Uberlândia, Contagem, Itabirito, Ipatinga e Nova Lima

Bebês
Legenda: Para os resultados, os pesquisadores utilizaram o sangue coletado para o teste do pezinho nos recém-nascidos
Foto: Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que mães que foram infectadas pelo novo coronavírus durante a gestação podem passar anticorpos para seus bebês por meio da transferência placentária. Os resultados ainda são preliminares.

Dentre mais de 500 mães e bebês testados, a pesquisa identificou a transferência de anticorpos IgG da mãe para o filho em mais de 70 casos. A UFMG tem como meta testar 4 mil mulheres. 

O estudo aponta, ainda, que 40% das mulheres assintomáticas testadas conseguiram passar anticorpos para os fetos. 

Para os resultados, os pesquisadores utilizaram o sangue coletado para o teste do pezinho nos recém-nascidos. A testagem das mães foi por punção digital, mesmo método utilizado no exame de glicose. 

Dois anos de acompanhamento

Os casos positivos serão acompanhados por dois anos. Nesse período, será observado se a infecção durante a gestação teve consequências para o desenvolvimento das crianças. Outro objetivo é avaliar a duração da imunidade adquirida pelo feto.

A professora Cláudia Lindgren, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, explica que os resultados do estudo podem conter respostas sobre uma futura vacinação de bebês, além de auxiliar na definição dos cuidados apropriados aos recém-nascidos. 

A pesquisa está sendo desenvolvida com o apoio do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 

Os casos identificados estão distribuídos nos cinco municípios mineiros participantes do estudo: Uberlândia, Contagem, Itabirito, Ipatinga e Nova Lima. 

Os critérios para a escolha das cidades foram taxa de prevalência de Covid-19, número de nascimentos por mês e existência de rede capacitada para o caso de ser necessário suporte à reabilitação das crianças com alterações nos testes de neurodesenvolvimento.