Vítimas da Covid-19 devem tomar apenas uma dose da vacina Pfizer ou Moderna, dizem cientistas

Publicação sugere que resposta de anticorpos da 1ª dose das vacinas para quem já teve a infecção pode ser até maior do que duas doses em quem não teve a doença

Vacina
Legenda: Estudo indica que a primeira dose da vacina da Pfizer ou Moderna já serviria como um reforço, de forma similar à segunda dose dada para quem não foi infectado
Foto: BERTRAND GUAY/AFP

Pessoas que já tiveram Covid-19 devem tomar apenas uma dose das vacinas de mRNA — Pfizer ou Moderna. Esta é a recomendação de uma carta de cientistas publicada no periódico científico EBioMedicine, do grupo da prestigiada Lancet. As informações são do jornal O Globo

Pesquisadores da Universidade de Maryland, Escola de Medicina da Universidade de Nova York, Icahn Escola de Medicina Monte Sinai, Universidade Queen Mary, no Reino Unido; e Universidade Humanitas, na Itália; assinaram a carta aberta.

Segundo a publicação, estudos revelaram que pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 desenvolveram anticorpos neutralizantes capazes de protegê-las da doença.

Dessa forma, a primeira dose da vacina já serviria como um reforço, de forma similar à segunda dose dada para quem não foi infectado. Isso valeria para quem teve Covid-19 sintomática ou assintomática entre um e seis meses.

Cientistas que participaram dos estudos afirmam que a opção de dar apenas uma dose para quem já foi infectado é mais segura do que adiar a segunda dose, como muitos países vêm fazendo. 

Resposta maior de anticorpos

Segundo os pesquisadores, evidências sugerem que as respostas de anticorpos à primeira dose de vacina em indivíduos com infecção prévia são iguais ou até excedem os anticorpos encontrados em indivíduos que ainda não tiveram contato com o vírus após a segunda dose. 

A mudança na recomendação atual da vacina para fornecer apenas uma dose da vacina aos sobreviventes da Covid-19, consideram eles, liberaria muitas doses necessárias com urgência, acelerando o processo.

Apesar de considerar um posicionamento interessante, o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), acredita haver obstáculos para colocar a estratégia em prática no Brasil.

Entre eles, a efetividade ainda não comprovada da metodologia e se servirá com as variantes do coronavírus. Os testes só consideraram a variante britânica.