Norte-americano que mora em Fortaleza comentou 'morte aos negros' sobre George Floyd em rede social

O suspeito foi identificado pelo site Google e localizado pela Polícia Federal e pela Interpol

Escrito por Redação,

Segurança
Legenda: George Floyd foi assassinado em uma abordagem policial
Foto: AFP

Um norte-americano de mais de 70 anos (identidade não revelada), que reside em Fortaleza e que foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (21), publicou em uma rede social "morte aos negros", afirmou o delegado federal Victor Mesquita, em entrevista à TV Verdes Mares.

Os comentários foram feitos pelo idoso em publicações sobre a morte de George Floyd, um homem negro que foi morto em uma abordagem por um policial branco, nos Estados Unidos, em maio de 2020.

O suspeito se mudou do seu país de origem para Fortaleza, mas mesmo assim foi identificado pelo site Google e localizado pela Polícia Federal e pela Interpol (Polícia Internacional).

Essa pessoa entrou em diversos canais internacionais, no Youtube, fazendo muitos comentários racistas, tipo 'morte aos negros', 'é isso que devia ter acontecido'."
Victor Mesquita
Delegado federal

Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência do norte-americano, nesta terça (21), na Operação Stop Hating. "A curiosidade é que é uma pessoa que se relaciona com pessoas negras (em Fortaleza)", revelou o delegado Victor Mesquita.

O suspeito irá responder pelos crimes de incitação ao crime e racismo, e pode ser condenado de 2 a 5 anos de prisão. Mas, devido a idade avançada, ele pode vir a ter redução de pena, alertou o delegado.

Operação Stop Hating

O mandado de busca e apreensão, cumprido pela PF nesta terça-feira (21) em Fortaleza, foi expedido pela 11ª Vara da Justiça Federal.

As investigações tiveram início ainda no ano passado, a partir de cooperação por meio da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol. O suspeito não foi preso até o momento.

"Os comentários eram inscritos em vídeos de notícias de caso que repercutiu nos Estados Unidos, envolvendo um segurança americano, morto em Minneapolis, no dia 25 de maio de 2020, por asfixia ao ter o pescoço prensado pelo joelho de um policial", comentou a PF, em nota.

A Polícia também informou que a investigação continua, agora com a análise do material apreendido durante as buscas. Se condenado, o investigado pode responder pelo crime de ódio, com pena de até cinco anos de prisão.

A operação batizada de 'Stop Hating' remete a 'pare de odiar', em inglês. Nome do suspeito e imagens não foram divulgados pela Polícia.