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Em vídeos, Michelle expõe crise no PL por articulações pró-Ciro no Ceará: 'Traição contra Bolsonaro'

A ex-primeira-dama publicou dois vídeos, nesta quarta-feira (24), que aprofundam a crise no PL Ceará.

Escrito por Igor Cavalcante igor.cavalcante@svm.com.br
24 de Junho de 2026 - 20:18 (Atualizado às 21:26)
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Legenda: Michelle Bolsonaro durante evento no Ceará, quando criticou as articulações do PL no Estado e defendeu Girão e Priscila.
Foto: Fabiane de Paula.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, na tarde desta quarta-feira (24), dois vídeos nos quais expõe a crise envolvendo o PL Ceará e faz novas críticas ao apoio de correligionários ao nome do  ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) como candidato ao Governo do Ceará. Segundo ela, a aliança bolsonarista deveria se unir em torno da pré-candidatura ao Executivo do senador Eduardo Girão. 

Michelle afirmou ainda que há uma tentativa de retirar a vereadora Priscila Costa (PL) da disputa pelo Senado. Segundo ela, a movimentação representa uma "traição" ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, em comum acordo com ela e com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, já teria decidido lançar uma chapa pura ao Senado no Ceará, formada por Priscila Costa e pelo deputado estadual Alcides (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL).

"O que aconteceu depois foi que, aproveitando-se da prisão do Jair, começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com Ciro Gomes (...) Se o André queria agradar o Ciro, porque ele não ofereceu a vaga do próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil?", afirmou.

No vídeo, Michelle disse que Bolsonaro reforçou essa decisão de que Priscila deveria disputar a vaga no Senado mesmo após ser preso.

“Ele disse: ‘Priscila será candidata, o número 222 poderá ser dado a ela’. Não é vago, não é interpretável, é um desejo, é uma ordem do líder. Vejam bem, a palavra mais recente do meu marido em relação às candidaturas no Ceará são essas. Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro, venha de quem vier”
Michelle Bolsonaro (PL)
Ex-primeira-dama

Na última terça-feira (23), André Fernandes havia rebatido críticas da ex-primeira-dama a Ciro. "Eu voto no Ciro Gomes e deixei isso sempre claro, não escondo de ninguém. [A Michelle Bolsonaro] Faz o que ela quiser, eu voto no Ciro Gomes. O meu voto é no Ciro Gomes e eu já expliquei os motivos", disse ao jornal "O Sobralense".

Apoio a Eduardo Girão

Na publicação, a ex-primeira-dama relembrou o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará. No evento, em novembro do ano passado, ela criticou diretamente o deputado federal e presidente do PL Ceará, André Fernandes, e seus aliados no Estado, afirmando que eles “se precipitaram” sobre a aliança com Ciro Gomes. 

“Eu adoro o André, passei em todos os estados falando do orgulho que tenho do Nikolas (Ferreira), do Carmelo (Neto), da esposa dele, Bella Carmelo, que foi eleita. Tenho orgulho de vocês. Mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá”, declarou a ex-primeira-dama à época.

Já nesta quarta-feira, ela disse que visitou o Ceará sob orientação de Bolsonaro e que ele autorizou expressamente seu apoio ao senador.

"Eu disse a ele que queria apoiar o Girão. Pela sua fidelidade às pautas conservadoras, pela coerência que ele representa com as pautas da direita, totalmente oposto ao que o Ciro defende e ele me autorizou", disse Michelle.

Ela voltou a defender o apoio ao pré-candidato do Novo e reforçou que a composição com Ciro Gomes contraria os princípios do bolsonarismo. "Não é questão de política, é questão de coerência", disse.

Girão é o único verdadeiro representante das pautas da direita na disputa pelo Governo do Ceará”, completou.

Michelle defende apoio a Ciro apenas em eventual segundo turno

Ao longo do vídeo, Michelle Bolsonaro sustentou que uma eventual aproximação entre o PL e Ciro Gomes só deveria ocorrer em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Segundo ela, a direita precisa priorizar, na primeira etapa da disputa, candidatos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e às pautas conservadoras.

"Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem, mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno. É preciso dar chance ao candidato que verdadeiramente se enquadra e defende os nossos valores", declarou.

Na sequência, ela voltou a criticar a possibilidade de composição com Ciro Gomes, relembrando declarações do ex-ministro contra Bolsonaro ao longo dos últimos anos e afirmando que ele "já provou inúmeras vezes não ser confiável". "É só uma questão de tempo para ele se voltar contra a direita. Todos foram avisados", concluiu.

Michelle relembrou críticas feitas por Ciro a Bolsonaro ao longo dos últimos anos, acusando o ex-ministro de ser um dos principais responsáveis pelo processo que culminou na inelegibilidade do ex-presidente.

"É para se unir a esse homem que o PL do Ceará está abandonando um candidato legítimo da direita?", perguntou.

“Ele chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento, disse que Bolsonaro roubava gasolina, disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras, disse que os filhos do meu marido, os meus enteados, eram corruptos, que eram ladrões e deu a eles um apelido, ovos de serpentes nazistóides. Essas foram as palavras de Ciro Gomes sobre os filhos do meu marido” 
Michelle Bolsonaro (PL)
Ex-primeira-dama

Ainda sobre o desentendimento com André Fernandes no Ceará, Michelle afirmou que, posteriormente, pediu desculpas a André Fernandes. “Eu gosto dele, eu não falei por raiva, falei por respeito, porque respeitar e gostar de alguém é também ter coragem de dizer o que precisa ser dito. Eu fiz elogios sinceros, critiquei o ato, a aliança precipitada com o Ciro e não a pessoa”, disse.

“Alguns acharam que eu não deveria ter falado. A maioria esmagadora, porém, disse que eu estava certa. Basta ver como as redes reagiram, mais de 90% das menções do dia foram positivas àquele gesto. Independentemente disso, posteriormente, pedi perdão ao André por eventualmente tê-lo magoado. Magoar nunca foi a minha intenção”, contou a ex-primeira dama. 

Ataques de Flávio Bolsonaro

Michelle disse que as críticas à aliança no Ceará desencadearam um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência da República. “Quando o evento terminou, eu voltei para Brasília e, durante o trajeto, aconteceu algo muito ruim, algo que eu não esperava, algo que doeu de um jeito que palavras custam para descrever, uma punhalada”, disse.

"Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras e tom agressivo defendendo André Fernandes (...) E não foi só ele, os irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros, pareceu combinado, premeditado", completou.

Michelle disse que tentou conversar com o senador por telefone e que, quando conseguiu falar com ele, recebeu mais críticas. "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", acusou Michelle.

O PontoPoder procurou a assessoria de imprensa do deputado federal André Fernandes e do ex-ministro Ciro Gomes, mas não houve retorno até a publicação.

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