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PF aponta que Vorcaro usou capangas até para assustar vizinho que procurava cachorro desaparecido

Banqueiro tinha uma espécie de milícia particular formada por policiais e ex-agentes, segundo a PF.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
21 de Junho de 2026 - 16:24
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Legenda: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso desde março.
Foto: Banco Master/Divulgação.

Um drone sobrevoando uma região de condomínios de luxo em Nova Lima, em Minas Gerais, foi suficiente para mobilizar um grupo de policiais e ex-policiais que, segundo a Polícia Federal (PF), atuava como uma espécie de "milícia particular" a serviço do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Um episódio, revelado pelos investigadores e divulgado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, mostrou o poder e as preocupações que rondavam o banqueiro.

Em março de 2024, Vorcaro percebeu um drone sobrevoando o condomínio onde morava. Ele então acionou imediatamente Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", apontado como responsável por coordenar uma estrutura clandestina de monitoramento e intimidação.

"Precisando de ajuda sua. Tem um drone filmando minha casa no Miguelão. Tinha que mandar alguém lá", escreveu o banqueiro em 26 de março de 2024.

Em resposta, Mourão informou que enviaria integrantes do grupo para localizar o equipamento. Na conversa, ele ainda questionou se deveria utilizar uma viatura ou um veículo descaracterizado.

"Acho que a viatura é melhor. Que aí quem fez ficará com medo, se não conseguir pegar", respondeu o investigado.

Para a Polícia Federal, a conversa ilustra a forma de atuação do grupo, que utilizava a intimidação como ferramenta para proteger os interesses do banqueiro, mesmo quando não havia qualquer indício de ameaça concreta.

'Milícia' de Vorcaro investigava supostos adversários

Segundo a investigação, o núcleo denominado "A Turma" era formado por seis policiais e ex-policiais, sob liderança do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Eles reuniram informações sigilosas, acessavam bancos de dados restritos, monitoravam pessoas e empresas, além de intimidar desafetos do banqueiro.

No caso do drone, Sicário chegou a cogitar a compra de um equipamento anti-drone para o condomínio. Já Marilson identificou o operador como sento um produtor musical que fazia buscas para encontrar um cachorro perdido. 

O policial federal aposentado intimidou o artista e avisou a Vorcaro que não haveria mais episódios envolvendo o drone. Ele ainda encaminhou ao chefe um cartaz com informações sobre o cachorro.

"Pitoco perdido – Vale do Sol. É muito doce, tem 10 anos, mas está com medo e fugindo cada vez mais longe", dizia o panfleto.

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