A Justiça Eleitoral decidiu, nesta quarta-feira (12), manter as prisões preventivas dos sete investigados na Operação "Omertá". O grupo é suspeito de interferir nas eleições muncipais de 2024 e no atual processo eleitoral de Sobral, na região Norte do Ceará.
A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada de forma virtual, ocasião em que participou o promotor eleitoral Igor Pinheiro, coordenador do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael), que se manifestou favoravelmente à manutenção das prisões.
Deflagrada nessa terça-feira (11), a diligência foi realizada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Gael e da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão, e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos.
O que se sabe da operação em Sobral
Dos mandados de prisão preventina, sete foram cumpridos ainda na terça-feira. O colunista Inácio Aguiar, do PontoPoder, confirmou a detenção de três parlamentares de Sobral: Carlos do Calisto (PSB), Mário Vicktor (União Brasil) e Junim do Povo (Podemos).
O processo é sigiloso e, por isso, não há mais informações, por ora, sobre como se dava a participação dos vereadores na dinâmica criminosa. Questionada, a Ficco preferiu não comentar publicamente esses detalhes.
Os mandados, autorizados pela Justiça Eleitoral, foram pedidos de forma conjunta pelo MPCE, por meio do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) e da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, e pela Ficco – uma força-tarefa brasileira que reúne Polícia Federal (PF), Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Penal.
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco Norte) do MP e a Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco Norte) da Polícia Civil também deram apoio à operação, que apreendeu aparelhos celulares, dinheiro em espécie e documentos.
Até o momento, o PontoPoder não localizou a defesa dos vereadores Carlos do Calisto, Mário Vicktor e Junim do Povo. O espaço está aberto para pronunciamentos.
Grupo cobrava pedágio para candidatos
Conforme o Ministério Público do Ceará (MPCE), a investigação aponta que a organização criminosa cobrava uma espécie de “pedágio” de cerca de R$ 60 mil aos candidatos para acessar alguns bairros de Sobral durante a campanha eleitoral.
Além disso, o grupo tentava manipular a escolha política dos eleitores por meio de coação e ameaça.
Segundo a Polícia Federal, são investigados os crimes de integrar organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão, corrupção eleitoral, impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral e lavagem de capitais.
A investigação tramita sob segredo de justiça.
A Ficco/CE é formada por forças de segurança estaduais e federais, incluindo representantes da Polícia Federal, Polícia Federal, pela Polícia Civil do Ceará, pela Polícia Militar do Ceará, pela Polícia Penal do Ceará e pela Secretaria Nacional de Políticas Penais.