Após decidir por Roberto Cláudio, PDT precisará de muito diálogo para evitar racha com aliados

Em meio a pressão de partidos da base, o desafio do grupo é manter a unidade para a disputa

Legenda: Ex-prefeito venceu a disputa interna por 55 votos a favor e 29 contra
Foto: Thiago Gadelha

Depois de meses de incertezas e desgastes, o PDT definiu nesta segunda-feira (18), o ex-prefeito Roberto Cláudio como pré-candidato do partido ao Governo do Ceará. Sem consenso, a decisão só veio depois do voto de pedetistas em reunião do diretório estadual.

O impasse que arrastou a decisão por meses pode ter deixado sequelas no núcleo do partido e também em aliados. Agora, o PDT precisará de muito diálogo para evitar rupturas e manter a base coesa para uma eleição que será dura contra o pré-candidato da oposição Capitão Wagner (União Brasil).

Veja quais são os focos de crise que o partido precisará apaziguar para manter o grupo unido para as eleições de outubro.

Fator Camilo

Principal articulador da pré-candidatura de Izolda Cela, o ex-governador Camilo Santana (PT) está mais petista do que nunca. 

Antes visto com certa desconfiança por correligionários mais ligados à deputada federal Luizianne Lins, o ex-governador conquistou liderança interna em mais de uma ala da sigla e tem trabalhado por mais autonomia no partido.

Com o veto do PT ao nome do ex-prefeito Roberto Cláudio, o ex-governador tem liderado esse sentimento dentro da agremiação. Convencer uma aproximação de Camilo com a candidatura do ex-prefeito parece ser um dos maiores desafios do grupo.

Candidatura própria do PT 

O ex-governador Camilo Santana tem, inclusive, trabalhado nos bastidores pela possibilidade de o partido ter candidatura própria ao Governo do Estado.

A demanda dos petistas é justificada também para a construção de um palanque forte para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Ceará.

Nomes como José Airton, Luizianne Lins, Fernando Santana e José Guimarães chegaram a ser ventilados para a empreitada. Pesquisas qualitativas e quantitativas foram contratadas pela legenda.

Uma provável candidatura petista com apoio de Lula e Camilo pode dividir os votos da ala governista. O desafio do PDT é buscar diálogo com o principal aliado desde 2006, evitando a fragilidade no palanque. 

Rompimento de aliados

Outro desafio dos pedetistas é evitar que em uma eventual candidatura do PT antigos aliados do grupo desembarquem do governo.

Reunião nos últimos dias entre PT, PV, PCdoB, PP e MDB foi vista nos bastidores como o ensaio de uma aliança eleitoral em caso de ruptura entre PT e PDT.

O PDT é um partido que tem poucos recursos financeiros para tocar a campanha, além do curto tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A fuga de legendas pode colocar em dificuldade a campanha do ex-prefeito.

Esses partidos possuem estrutura financeira e prefeituras no interior do Estado – o que pode fazer diferença em uma disputa que tem tudo pra ser acirrada com a oposição liderada por Capitão Wagner.

Unificar a base

Depois que mais de 60 prefeitos defenderam que a governadora Izolda Cela disputasse a reeleição, o núcleo do PDT no Ceará precisará realinhar os esforços com lideranças do Interior.

Muitos deles estão ligados ao ex-governador Camilo Santana. O próprio prefeito de Caucaia, Vitor Valim, liderança no segundo maior colégio eleitoral do Estado, se comprometeu a apoiar a reeleição da governadora, mas se recusa a apoiar o ex-prefeito Roberto Cláudio.

A capacidade de diálogo será fundamental para que a estrutura governista não se desmembre a ponto de colocar em risco a continuidade do grupo no comando do Palácio da Abolição.