Quais as chances de ‘Feito Pipa' ser o primeiro filme cearense a representar o Brasil no Oscar?
Premiado longa de Allan Deberton avançou de fase no processo de escolha do representante brasileiro na premiação.
Gravado em Quixadá, o filme “Feito Pipa”, de Allan Deberton, avançou no processo de escolha do representante brasileiro do Oscar em 2027 e pode ser a primeira obra cearense a representar o País no prêmio.
Tendo angariado troféus desde a estreia no Festival de Berlim, em fevereiro deste ano, o longa desponta como um dos favoritos entre os seis pré-selecionados, mas a escolha final — a ser tomada no próximo dia 16 — passa por aspectos específicos que serão levados em consideração pela Academia Brasileira de Cinema, responsável pelo processo.
A repercussão em festivais pelo mundo e, ainda mais importante, a distribuição da produção nos Estados Unidos, por exemplo, desempenham papel central na decisão de qual produção vai representar o País na disputa por uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional.
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Com Lázaro Ramos e Teca Pereira no elenco, “Feito Pipa” acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino criativo de 12 anos que tem na avó o principal eixo familiar, enquanto enfrenta uma relação difícil com o pai.
A pré-lista com os títulos que avançaram de fase foi divulgada nesta quarta (9) e traz, além do cearense, os filmes:
- "100 Dias”, de Carlos Saldanha;
- “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai;
- “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo;
- “Nosso Segredo”, de Grace Passô;
- “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins
Diferentemente dos anos anteriores, nos quais “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” despontavam como representantes naturais do Brasil — não por acaso, ambos chegaram a múltiplas indicações no Oscar, com vitória do primeiro —, o processo referente ao prêmio de 2027 parece mais aberto.
Prêmios em Berlim e outros festivais dão dianteira ao cearense
O ponto da repercussão internacional da obra coloca a maior parte das produções pré-selecionadas em pé de igualdade. Entre elas, somente “100 Dias” não teve ou terá estreia em festivais de cinema de alcance global.
“Feito Pipa”, “A Fabulosa Máquina do Tempo” e “Nosso Segredo” estrearam em Berlim em 2026, enquanto “A Natureza das Coisas Invisíveis” foi selecionado para o evento alemão de 2025.
Já “Vicentina Pede Desculpas” ainda é inédito no circuito de festivais, mas foi um dos selecionados para o Festival de Toronto e terá estreia mundial neste sábado (12), na seção competitiva Plataform.
A partir deste ano, pelas novas regras do Oscar, a vitória de determinados prêmios em festivais de cinema específicos funciona como “qualificatória” para a categoria de Filme Internacional, sem necessidade de ser escolhido pelo país. O prêmio Plataform é um deles.
O filme cearense toma a dianteira em relação aos outros selecionados por ter saído multipremiado do Festival de Berlim, com o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional da mostra Generation Kplus, dedicada a filmes sobre e para o público jovem.
Além dos reconhecimentos em Berlim, “Feito Pipa” venceu dois prêmios no Festival de Guadalajara, no México, e um no Festival de Cartagena, na Colômbia. No Brasil, a obra foi a mais premiada no Festival de Gramado — cujo prêmio principal foi para “Nosso Segredo”.
Distribuição internacional pode ser fiel da balança
Além da repercussão e prêmios nos festivais globais, a distribuição de uma obra nos Estados Unidos também pode ser crucial para a campanha dela até o Oscar de Filme Internacional.
Nos casos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, os dois foram indicados com o apoio, respectivamente, da gigante Sony Pictures Classics — que acumula 166 indicações e 38 vitórias no Oscar — e da Neon — que levou 11 das 57 indicações, incluindo vitórias de Melhor Filme para “Parasita” e “Anora”.
Neste sentido, a dianteira fica com “Vicentina Pede Desculpas”, do mineiro Gabriel Martins, que é uma produção original da Netflix, com estreia global no dia 20 de novembro.
Caso a produção tenha repercussão positiva após as primeiras exibições, tanto em Toronto quanto no Festival de San Sebastián, onde também será exibida neste mês, ela pode se tornar uma das prioridades de campanha da plataforma.
No caso de “Feito Pipa”, a produção cearense tem as vendas internacionais comandadas pela M-Appeal, empresa menor que tem, no catálogo, uma maioria de produções independentes de diferentes países.
Quais os próximos passos do processo?
O representante oficial do Brasil será escolhido pelo comitê da Academia Brasileira de Cinema na próxima quarta-feira (16).
Pelos aspectos destrinchados até aqui, "Feito Pipa" e "Vicentina Pede Desculpas" despontam como títulos com maiores probabilidades de serem selecionados, com chances também para "Nosso Segredo".
O filme escolhido será submetido à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e concorrerá, junto a obras submetidas por outros países, no processo da instituição para definição dos indicados à categoria de Melhor Filme Internacional.
Nesta etapa, os membros da Academia votam, primeiro, até 15 filmes entre um universo de cerca de 100 elegíveis. Então, em outra fase, os cinco mais votados são os indicados oficiais.
É por esse processo complexo e custoso que a decisão da ABC leva em conta variáveis que vão além da simples ideia de “qualidade” das obras pré-selecionadas.
A decisão final não fala dos atributos e virtudes da produção selecionada frente às outras, mas sim das capacidades financeiras e de repercussão da obra escolhida frente a dezenas de outras produções de todo o mundo.
Trailer de "Feito Pipa"