Ciro se queixou aos pré-candidatos do PDT de 'falta de coordenação' na sucessão; pouco foi resolvido

Em meio aos embates, os quatro nomes do partido vão chegar ao encontro com Cid Gomes com quase nada definido sobre a escolha do candidato

Legenda: Em momentos distintos, ao sinalizarem em favor de Roberto Cláudio antes da conclusão do processo, Ciro e Carlos Lupi geraram desconforto na aliança governista
Foto: Thiago Gadelha

No encontro ocorrido há uma semana, na sede do PDT em Fortaleza, Ciro Gomes se queixou aos quatro pré-candidatos do partido ao governo do Estado de que estava faltando “coordenação” no processo de discussão interna para a sucessão estadual. Ele disse que teve de voltar da campanha nacional para tentar mediar a situação no Estado. O recado foi para o irmão Cid e o ex-governador Camilo Santana.

O presidenciável disse ainda estar preocupado com o andamento do projeto iniciado em 2006 no Ceará com a eleição de Cid Gomes, que enfrenta seu momento mais delicado neste ano, diante das divergências apresentadas nos bastidores, e em público, na guerra para definição do candidato governista.

Inicialmente, os conflitos eram com o PT, mas ao longo dos meses ficou claro que há divergências, inclusive, dentro do PDT, nas bases parlamentares.

Cid Gomes está afastado do processo de sucessão estadual. Desde maio, não aparece em eventos públicos e nem fala com ninguém sobre o assunto. Enquanto isso, cresce a tensão entre os aliados entrincheirados entre a pré-candidatura do ex-prefeito Roberto Cláudio e a da governadora Izolda Cela.

Uma das providências que saíram do encontro de terça passada foi a busca dos pré-candidatos de ouvir Cid e Camilo para tratar da sucessão. O encontro com o petista aconteceu no último sábado e teve uma sessão de desabafos entre os envolvidos, um elemento a mais a comprovar o clima comprometido entre os aliados.

Os pré-candidatos relataram a Camilo a fala de Ciro e as queixas em relação à coordenação do processo. Camilo respondeu que não tinha procuração para fazer essa coordenação, até por se tratar de um processo interno do PDT, partido ao qual não é filiado.

Declarações incendiárias

Ciro falou de ausência de coordenação, mas ele mesmo contribuiu para o constante clima de acirramento entre os aliados no Estado. No início de maio, em entrevista, Ciro protagonizou um dos momentos de maior tensão ao criticar duramente integrantes do PT no Estado. Até então, ele mantinha a crítica ácida apenas ao PT nacional.

Em momentos distintos, ele e Carlos Lupi, o presidente nacional pedetista, fizeram sinalizações pró-Roberto Cláudio, o que contribuiu para o acirramento de bastidores entre os aliados, que se tornou público no último dia 15 de junho, no encontro regional do partido.

Sequelas

O fato é que a pré-campanha do PDT, independentemente do desfecho, deixou muitas sequelas. Será difícil unificar o grande arco de apoios, mesmo que no papel siga reunido. Nas casas legislativas, o clima entre os parlamentares é acirrado.

A conversa dos pré-candidatos com Camilo Santana pouquíssimo avançou em definições.

Os fatos convergiram para que se chegasse à conversa com Cid Gomes sem resoluções efetivas. O encontro ainda está sendo aguardado.