A fonte do poder

O poder já foi encarnado pelo próprio soberano, tido e havido como deus e, como tal, adorado e venerado. Ou provinha diretamente de Deus, nos tempos do Absolutismo dos reis, quando uma linha invisível de sucessão ligava o Céu à Terra. As coisas mudaram e prevaleceu o conceito grego de democracia. A democracia passou a ser definida como "governo do povo, para o povo e pelo povo".

Considerado por Winston Churchill o melhor regime político, apesar dos defeitos, hoje sofre pesada influência do capital econômico, como se observa, por exemplo, na mais representativa nação democrática do mundo - os Estados Unidos da América. E assim é em toda parte, onde os mais ricos podem dirigir o destino dos seus povos, como se observa nos EUA, pois os presidentes estão cada vez mais ligados ao grande capital e eles próprios são donos de consideráveis fortunas.

O Brasil, inspirado no modelo político americano, após a Monarquia dos Pedros, adotou o regime democrático, apesar dos golpes e contra-golpes, como bem o evidencia a história republicana, marcada por ditaduras civis e militares. Hoje, o País vive sob novo impasse. Caminha para o avanço da democracia ou retroage para os regimes de exceção, sob a velha cantilena da necessidade de um salvador da Pátria. Esta a grande interrogação, quando se assiste às lutas entre os Poderes, interna corporis, isto é, entre os seus componentes, e externa corporis, quando um poder ataca o outro, e não respeita os seus representantes, ao usar gírias ou termos chulos, nada condizentes com as funções.

Queremos verdadeiramente implantar no País uma democracia em construção ou queremos retroceder ao regime da violência institucional? Mais comedimento é o conselho para o momento de grave crise nacional. Do contrário, andaremos às escuras, sem sabermos para onde vamos. E pagaremos o pesado preço da desídia.


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