Em luta histórica, travada há mais de meio século, desde 1958,o governo do Ceará transpõe mais uma trincheira na tentativa de instalar uma refinaria de petróleo no Estado. Na próxima semana, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semace) deve anunciar a liberação da licença de construção do empreendimento, em São Gonçalo do Amarante, o último entrave ambiental para que o empreendimento saia do papel.
O anúncio foi feito na noite de ontem, pelo próprio governador Cid Gomes, durante apresentação de um balanço dos sete anos e meio de sua gestão à frente do executivo Estadual, para industriais cearenses. Em sua terceira visita ao Centro Industrial do Ceará (CIC), nesse período, o governador disse ainda, que os editais de licitação das obras da refinaria Premium II podem ser lançados em agosto próximo.
"A licença de construção, que significa a licença total para a instalação da refinaria, será anunciada na próxima semana, pela Semace", declarou Cid Gomes, acrescentando que "eles (a Petrobras) disseram que vão fazer (o lançamento dos editais) em agosto". O governador falou que a informação lhe fora repassada na última reunião que realizou com técnicos da Petrobras, mas ressaltou que a mesma notícia (dos editais) já lhe havia sido sinalizada para junho e julho deste ano, o que, mais uma vez, não aconteceu.
Crescimento estadual
O governador iniciou sua exposição fazendo um paralelo entre a economia do Ceará e a do Brasil e sinalizou para este ano, incremento de 3%, do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, duas vezes maior do que o 1%, previsto para o PIB nacional em 2014. "Há 32 trimestres, desde o primeiro trimestre de 2010, o PIB do Ceará cresce em ritmo maior que o brasileiro", disse o governador, destacando que em 2013, após 50 anos, a participação do PIB do Estado superou a barreira de 2%, em relação ao Nacional.
Sempre repetindo os resultados positivos alcançados nos anos de seu governo, Cid disse que entrega as contas do Estado, em dia, com a dívida líquida em torno de 30% da Receita Corrente Líquida. Ele não escondeu sua preocupação com o custeio da máquina pública a partir do ano que vem, mas disse que o próximo governador eleito poderá contar também com aportes da União, sobretudo nas áreas de saúde e educação, a partir de recursos assegurados em royalties do petróleo do Pré-Sal e do SUS (Sistema Único de saúde).
Infraestrutura
Após breve introdução sobre a saúde financeira do Estado, Cid Gomes abriu os temas para perguntas, a começar pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). Concentrou sua fala no potencial que o equipamento representa para a economia do Estado.
Uma a uma, Cid Gomes respondeu as questões dos empresários presentes, ligadas às áreas de energia, transportes, estradas, indústria, siderurgia, turismo, educação, segurança pública e até cultura.
Desafios
Como desafios para o próximo governo na área de infraestrutura ele apontou a conclusão da Transnordestina, o arco metropolitano, a expansão da área da ZPE e até construção de um novo aeroporto, na extrema sul do Porto do Pecém, do outro lado da BR- 222, a qual deve ser duplicada no futuro. "Vamos fazer a duplicação do anel viário até a Sabiaguaba, o que deve ficar pronto em setembro, mas vão faltar os viadutos", anunciou o governador.
Potencialidades
Como principais potencialidades econômicas do Estado, ele defendeu a fruticultura irrigada e o turismo, seguimento este que, segundo avalia, exige muito investimento continuado. "O Acquario vai atrair crianças, o turismo familiar", defendeu, lembrando que o setor é um dos que atrai grandes investimentos públicos.
Falou da política tributária e de incentivos fiscais e não se intimidou a criticar, em público , o ministro da Fazenda. "Guido Mantega, sua sumidade que nem sabe onde fica o Nordeste", criticou o governador, ao defender a manutenção da concessão de incentivos fiscais pelos Estados, como forma de atrair investimentos; política que vem sendo combatida pelo ministro Mantega. "ICMS deve ser pago no final. A origem já fica com o emprego", frisou o governador.
Questionado sobre a situação do Centro Dragão do Mar, Cid respondeu que: "há oito meses, liberei R$ 10 milhões para a reforma do equipamento, mas uma briga entre a Secretaria de Cultura e o (a direção) Dragão impede a obra de avançar", revelou. "Vamos reformar", disse.
Carlos Eugênio
Repórter