Opinião: Qual o cenário para as micro e pequenas empresas com a pandemia da Covid-19?

A análise é do professor da Universidade de Fortaleza Rogério Nicolau

A atual pandemia causada pela Covid-19 tem provocado profundas transformações econômicas e sociais a nível global. Essa situação tem resultado em muitas perdas e em um colapso nas estruturas de saúde. Por recomendação das autoridades o isolamento social tem sido adotado como forma de conter a transmissão do vírus.  

O que as micro e pequenas empresas (MPEs) têm a ver com isso? Bem, com o isolamento, a forma de consumir mudou drasticamente, o que acarreta em um grande desafio por parte dos empreendedores de entender o atual momento, manter a empresa operando e se adaptando aos novos imperativos do mercado. Alguns segmentos sofrem mais com essas mudanças e precisarão de drásticas transformações, como exemplo podemos citar: varejo, moda, turismo, alimentação (bares e restaurantes), beleza, educação dentre outros.  

As quedas abruptas no faturamento ocasionaram o fechamento de muitas empresas o que acarretou em demissão de seus funcionários e um agravamento das questões econômicas e sociais.  

Então, como os empreendedores podem conseguir manter a operação da empresa, acompanhar as mudanças na forma de consumo e gerar as receitas necessárias para não fechar as portas nessa nova situação? O que fazer agora? Que possíveis áreas estarão “aquecidas” pós-pandemia? 

Este é momento para as empresas reavaliarem seus custos, manterem uma boa comunicação com seus clientes, migrarem para venda online, incorporando o delivery como canal de entrega de seus produtos e serviços, negociarem com fornecedores prazos e condições de pagamento e engajarem seu time no enfrentamento da atual pandemia. 

Muitos especialistas têm dito que o Covid-19 é um acelerador de futuros no sentido de que essa pandemia está acelerando modelos de negócio que funcionarão no futuro e, ao mesmo tempo, expondo a fragilidade de outros que se mostram obsoletos em situações como esta.  

O que vem pela frente? Alguns setores estarão ainda mais aquecidos: saúde - as pessoas provavelmente darão mais importância a sua saúde física e mental, incorporando ao seu dia a dia alimentação saudável, tratamentos preventivos, atividades físicas, meditação dentre outros. A limpeza ganhará ainda mais importância tendo em vista que os hábitos de higiene da população devem perdurar pós-Covid-19.

Os empreendedores que lidam com estas demandas precisarão apresentar suas propostas de valor aos seus clientes alinhando competitividade, conhecimentos dos atributos funcionais, emocionais, sociais e pessoais dos seus produtos e serviços além de escolherem canais corretos de comunicação, venda e distribuição. 

As empresas precisarão migrar rápido seus negócios para o ambiente online e precisarão captar os anseios e necessidades dos seus clientes.

O trabalho remoto se consolidará como uma realidade que as empresas considerarão não só do ponto de vista da produtividade, mas também da sustentabilidade dos seus negócios, educação a distância, conteúdos de streaming crescerão ainda mais. 

Do ponto de vista da gestão, profissionalizar os negócios será um imperativo de sobrevivência. Isso envolve conhecer as ferramentas de gestão e saber utilizá-las. Os planejamentos deverão ser pensados com prazos menores utilizando ferramentas ágeis. E a rápida adaptação da equipe será fundamental. Uma cultura de educação financeira possibilitará uma melhor otimização dos recursos tanto para as famílias como para as empresas. 

Adaptação e aprendizagem são fundamentais para as empresas ganharem agilidade e velocidade. Além disso, se conectar com seus clientes, entendendo as formas de se gerar e entregar valor, é fundamental não apenas para se vender, mas gerar relacionamentos mais profundos e duradouros. 

Rogério Nicolau

Mestre em administração de empresas; coordenador do Escritório de Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade e professor da Universidade de Fortaleza nas áreas de gestão e empreendedorismo. 

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