Delegado que atirou em homem em Fernando de Noronha vira réu por tentativa de homicídio
O crime ocorreu no dia 5 de maio, durante uma roda de samba na ilha do litoral de Pernambuco
O delegado Luiz Alberto Braga, que atirou no ambulante Emmanuel Apory durante uma festa em Fernando de Noronha, virou réu por tentativa de homicídio duplamente qualificado e omissão de socorro. As informações são do portal g1.
A denúncia do Ministério Público foi aceita pela Justiça na última sexta-feira (20). Conforme decisão da juíza Fernanda Carvalho, o policial tem o prazo de dez dias para apresentar resposta à acusação.
O crime ocorreu no dia 5 de maio, durante uma roda de samba no Forte dos Remédios, que fica na ilha do litoral pernambucano. O ambulante de 26 anos foi atingido por disparos feitos pelo delegado da Polícia Civil e teve a perna direita amputada.
Delegado é afastado do cargo
O delegado Luiz Alberto Braga não foi preso e responde o processo em liberdade. Ele foi afastado do cargo público até o fim do julgamento e teve o porte e o recolhimento de armas suspensos, além da suspensão dos direitos políticos.
Ainda haverá uma audiência de instrução e o réu deve ser interrogado na próxima fase do processo. As testemunhas também devem ser ouvidas para, posteriormente, o Ministério Público e a defesa apresentarem as alegações finais.
"Depois dessa fase, a Justiça vai decidir se o réu será levado a júri popular, se será absolvido ou se a denúncia será desclassificada para lesão corporal, em vez de tentativa de homicídio", disse a juíza.
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'Meu erro foi tentar ajudar'
No dia 16 de maio, o ambulante publicou um vídeo nas redes sociais se pronunciando sobre o caso. Após citar que seria necessário amputar a perna dele para preservar a vida, afirmou: "O meu erro foi tentar ajudar, ter empatia por quem não merece. Não dei em cima de ninguém, respeitei a todo momento, mas por mais que demore, a verdade tarda, mas não falha".
Emmanuel, que ainda estava no hospital no momento em que fez o registro, lamentou que devido à tentativa de ajudar a situação, agora estava precisando de ajuda para diversas atividades, como tomar banho, deitar, se cobrir e até dormir.
"A pessoa que tentou ceifar a minha vida, está tranquila em algum lugar, como se fosse só mais um caso. Não podemos deixar isso ser só mais um caso na estatística. Eu sei que tentaram me matar".
Na gravação, ele ainda agradeceu ao apoio recebido dos moradores da ilha, pediu por melhoria e agilidade no serviço de saúde.
"Se eu tivesse chegado no continente mais cedo, talvez a história tivesse sido diferente e não tivesse sido preciso eu amputar. E eu não sou um caso isolado. Quantos já sofreram, perderam até a vida pela demora do salvo aéreo ou da falta de estrutura de nosso hospital", afirmou.
Relembre o caso
O ambulante de 26 anos Emmanuel Apory foi baleado na perna após disparos feitos pelo delegado Luiz Alberto Braga, da Polícia Civil de Pernambuco, na madrugada do dia 5 de maio. O caso ocorreu durante uma roda de samba no Forte dos Remédios, que fica na ilha do litoral pernambucano.
Segundo testemunhas, o motivo da discussão se deu por ciúmes, pois o agente estava acompanhado de uma mulher. Ele estava na região cobrindo férias do titular da função.
O diretor do Forte dos Remédios, Ricardo Neves, afirmou que houve uma briga no banheiro.
"As informações que temos é que o motivo foi ciúmes de uma mulher que estava com o agressor. Nos vídeos, nós constatamos que o agressor deu um tapa e levou um tapa e depois disparou os tiros na perna da vítima”, disse ele ao g1.
Em nota, a Polícia Civil informou que foi instaurado um inquérito que será conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), de Pernambuco.
A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) também instaurou um procedimento preliminar e acompanha a investigação da policial.