São Paulo terá centro de controle contra varíola dos macacos e 93 hospitais na retaguarda

O Estado, que possui 1.298 casos da doença criou um protocolo assistencial de atendimento

homem com lesões de varíola dos macacos
Legenda: O governo paulista ainda aguarda a compra de 50 mil doses de vacina contra a monkeypox, prometidas pelo Ministério da Saúde
Foto: Shutterstock

O Governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (4) a criação de um centro de controle contra a varíola dos macacos, além de 93 hospitais na retaguarda e uma rede de laboratórios de testagem e vigilância genômica. O Estado terá ainda serviço de orientação 24 horas para profissionais de saúde. 

Segundo a Secretaria da Saúde de SP, esses hospitais serão referência e receberão os casos mais graves com necessidade de internação e leitos de isolamento ou Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Foi criado também um protocolo especial de atenção às gestantes que se infectarem. Duas grávidas, cinco crianças e cinco adolescentes foram diagnosticados com a monkeypox em São Paulo. 

Ainda entre as medidas anunciadas, o secretário David Uip, da Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde, disse que o Estado investe na vigilância laboratorial e genômica, sob o comando do Centro de Vigilância Epidemiológica e do Instituto Adolfo Lutz.

Protocolo 

Um protocolo oficial para a rede assistência em saúde foi definido durante o anúncio do plano. Confira o que foi decidido:

  • Sintomáticos devem procurar uma unidade de saúde
  • Paciente suspeito faz teste PCR e já é orientado a cumprir isolamento 
  • Casos confirmados devem ser notificados ao Estado em até 24 horas
  • Casos leves devem se isolar em casa; graves são internados 
  • O paciente confirmado e os contactantes são monitorados uma vez por dia, por telefone, por 21 dias

Grávidas diagnosticadas serão acompanhadas e indicadas ao parto em uma unidade de saúde de alto risco para uma cesárea. Caso não haja lesões na região perianal, é possível que seja feito o parto normal. 

Lactantes deverão ficar 14 dias sem amamentar a criança. Conforme o secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, as medidas podem mudar conforme a evolução a doença nesse público. Não se sabe ainda, desse modo, se a varíola dos macacos é transmitida por meio do leite materno. 

Casos em São Paulo 

O Estado de São Paulo já confirmou 1.298 casos da doença, a maior parte na capital. Atualmente duas pessoas estão internadas. 

Ao Hospital Emílio Ribas, referência para doenças infecciosas, chegam diariamente 30 casos suspeitos da doença.

"Estamos fazendo uma atitude muito mais antecipada, em cadência para que todos tenhamos protocolos assistenciais e isso ajude as unidades de saúde a identificar a doença e definir quem são aqueles que têm risco potencial de desenvolver a forma grave de doença, que são exatamente pessoas que têm algum problema na sua imunidade", disse Gorinchteyn.

Vacina contra a varíola dos macacos 

O governo paulista ainda aguarda a compra de 50 mil doses de vacina pelo Ministério da Saúde, que serão distribuídas entre os estados, e a definição de qual será o público prioritário para a aplicação dessas doses. 

O Instituto Butantan e o Ministério da Saúde também negociam o envio de insumo farmacêutico ativo (IFA) para que a vacina possa ser produzida no Brasil, pelo Butantan ou pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mas essas tratativas não terão respostas imediatas.

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