Médica alerta sobre chás emagrecedores após atender paciente com hepatite fulminante

Paciente está na fila de transplante de fígado em São Paulo

fachada do hospital das clínicas
Legenda: Médica atual no Hospital das Clínicas de SP
Foto: Divulgação/Governo de SP

Gastroenterologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Liliana Ducatti Lopes usou as redes sociais para fazer um alerta sobre o uso, sem acompanhamento médico, de "chás emagrecedores" e "detox".

Em janeiro, ela atendeu a uma paciente que teve hepatite fulminante após tomar chá emagrecedor de 50 ervas, entre elas, chá-verde, carqueja e mata verde. A médica é cirurgiã do aparelho digestivo e realiza transplantes de fígado e de outros órgãos na unidade hospitalar.

“Esses casos são pessoas que previamente são rígidas, ou seja, não têm nenhum problema de saúde e que desenvolvem uma falência aguda do fígado gravíssima e que precisam transplantar urgente, porque se, não transplantar, evoluem a óbito em questão de 24h, 48h, 72 horas. Então são casos dramáticos”, avisa.

Na publicação, Ducatti conta que, sempre que o hospital recebe esse tipo de paciente, a primeira coisa a se fazer é investigar a causa. Na maioria das vezes, segundo aponta, a razão é medicamentosa, como uso de anabolizantes e isotretinoína, usada para tratamentos de acne grave.

“Mas geralmente o uso desses medicamentos está sendo feito com acompanhamento médico, onde acaba fazendo exame de sangue para ver como está a saúde do fígado”, aponta.

Uso de chás emagrecedores

No caso da paciente, ela não utilizava nenhum medicamento com acompanhamento médico. Os familiares da mulher, no entanto, apresentaram um chá emagrecedor de 50 ervas que ela estava tomando. “Quando olhamos o rótulo, a gente pode identificar diversas ervas que são conhecidas já por serem hepatotóxicas, por fazerem mal ao fígado. Dentre elas, a mais comum, o mais conhecido: chá-verde”, conta a médica.

Ela alerta que os riscos não estão só no chá-verde, mas na carqueja, mata verde e outras ervas já estudadas pelos especialistas e descritas como hepatotóxicas. “Nós recomendamos a não fazer uso desse tipo de medicação. Chá que desincha, chá detox natural, erva que desincha... Não faça uso e desaconselhe às pessoas que você conhece. Isso tudo é charlatanismo”, avisa.

Esses chás milagrosos fazem mal ao fígado, podem levar à necessidade de um transplante. “E o pior é que muitas vezes a pessoa não consegue nem chegar ao transplante de fígado”, diz.

A paciente está na fila de transplante do Hospital das Clínicas como prioridade 1. “Estamos contando as horas, contando os minutos, e torcendo para que apareceu doador para que ela seja transplantada e sobreviva, mas a gente ainda não tem essa certeza, por uma medicação que poderia ter sido evitada”.

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