Empresas demitem casal que acusou jovem negro de roubar bicicleta no Rio de Janeiro

Matheus Ribeiro precisou provar ao casal ser o dono de uma bicicleta. Caso repercutiu em todo o País

Foto do casal
Legenda: A professora de dança e o designer foram desligados das empresas em que trabalhavam
Foto: Reprodução

A professora e o designer suspeitos de racismo por acusarem, sem provas, um jovem negro de ter furtado uma bicicleta foram demitidos das empresas nas quais trabalhavam. A abordagem acusatória aconteceu no último sábado (12), no Leblon, no Rio de Janeiro. As informações são do jornal O Globo

O casal abordou o instrutor de surfe Matheus Ribeiro, de 22 anos, para questioná-lo se a bicicleta elétrica utilizada por ele não era roubada. Conforme o jornal, a mulher chegou a afirmar ter um equipamento igual, que havia sido roubado. 

O vídeo do momento da discussão repercutiu nas redes sociais. Diante da pressão, a Papel Craft disse ter demitido o funcionário, que era designer de quadros da marca. 

E a escola de arte Espaço Vibre, onde a professora trabalhava, comunicou, nas redes sociais, que repudia o ato. “Racismo é crime e não vamos compactuar com isso. A professora envolvida no ato foi demitida e já não faz mais parte do nosso quadro de funcionários”, afirmou. 

A ocorrência foi registrada na 14ª DP, no Leblon, no Rio. Até a publicação desta matéria, apenas a mulher envolvida no caso foi intimada para prestar esclarecimentos nesta quarta-feira (16). Ela foi a única identificada pela vítima no registro.

Em entrevista ao O Globo, a delegada Natacha Alves de Oliveira informou que o relato da vítima foi sucinto e não indicou critério racial em seu teor. Por isso, só será possível determinar qual crime será investigado ou não após os depoimentos. 

A depender do que for apontado nos depoimentos, o designer poderá ser chamado. 

Repórter com mesmo nome é confundida com suspeita de racismo

Jornalista sentada num gramado de campo de futebol
Legenda: A jornalista Mariana Spinelli recebeu ataques nas redes sociais
Foto: Instagram / @marianaspinelli

Com o mesmo nome da mulher que acusou Matheus de furtar uma bicicleta, a jornalista Mariana Spinelli, da ESPN, foi confundida e recebeu ataques nas redes sociais. 

Ela explicou a situação no Twitter. “Pessoal, hoje, um vídeo de um casal sendo racista no Rio de Janeiro foi publicado e divulgado nas redes sociais. Infelizmente, a menina tem o mesmo nome que o meu. Algumas pessoas estão confundindo os nomes", disse.

"Obviamente, não fui eu. Responsabilidade, nesse momento, é importante. Abraço e minha solidariedade ao rapaz no RJ, que é a real vítima da história. Abração!”, complementou.

nota de mariana spinelli
Legenda: Jornalista compartilhou nota nas redes sociais
Foto: Reprodução

Entenda a história

Negro, Matheus Ribeiro foi abordado por dois jovens brancos que o acusaram de ter furtado uma bicicleta elétrica, no Leblon. O jovem relata que chegou a mostrar imagens ao casal em busca de provar já possuir o equipamento há bastante tempo.

Em vídeo, o rapaz, inclusive, gravou a discussão do fim do desentendimento, em que o homem branco pede "desculpas" pela acusação feita. 

No Instagram, Matheus Ribeiro fez publicação para expor o caso. "E pra você, que é pretin igual eu, seja cuidadoso ao andar em lugares assim. Eles vão te culpar, pra depois verem o que aconteceu", escreveu em parte da legenda. 

Ainda segundo a postagem, Matheus teve de argumentar ser o verdadeiro dono da bicicleta. Na porta de um shopping aguardando a namorada, ele viu a tranca do item ser retirada pelo casal, sem seu consentimento.

De início, o homem que fez a acusação tentou abrir o cadeado, porém, ao notar que a chave que possuía não funcionara, pediu desculpas.

"Eu não te acusei, só estou te perguntando", diz o rapaz ao devolver o cadeado à bicicleta nas imagens gravadas. 

DENÚNCIA NA POLÍCIA

Segundo publicação do jornal Extra, Matheus Ribeiro mora na Maré, mas passa cerca de seis dias da semana na Zona Sul por conta das aulas de surfe que dá no Arpoador.

"A gente que é negro convive com esse tipo de situação desde sempre. Mas nunca tinha sido tão constrangedor, apesar de não ser inédito", comentou o jovem ao jornal carioca.

"O que eu espero é que no mínimo as pessoas que fizeram isso tenham consciência do que estão fazendo. Minha intenção na delegacia não é ganhar cesta básica. Eles aparentavam ser jovens formados nos estudos, e com informações que temos, precisamos estar ligados com isso", pontuou.

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