Carnaval na Bahia deve ser autorizado somente se 90% da população estiver vacinada, orienta Fiocruz

Fundação também recomenda a exigência do passaporte de vacina, inclusive de estrangeiros

Imagem mostra multidão em carnaval em Salvador.
Legenda: Por ser uma festa que tradicionalmente promove aglomeração, Carnaval necessita de mais cuidados para ser viável.
Foto: Divulgação

O Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz-Bahia) enviou uma carta à Câmara dos Vereadores de Salvador recomendando que as tradicionais festas de Carnaval sejam autorizadas somente se ao menos 90% da população já estiver imunizada contra a Covid-19 no período e se os índices de casos, óbitos e internações pela doença apresentarem redução. 

Atualmente, segundo informações do jornal Correio, 72% da população da cidade completou o esquema vacinal com duas doses ou doses únicas. O ideal para se ter alguma segurança sanitária é que 80% da população esteja imunizada. Contudo, a Fiocruz-Bahia entende que o Carnaval requer ainda mais cuidados, especialmente por receber pessoas de outros estados e países. 

No documento, o corpo técnico da Fundação ressalta que as decisões dependem diretamente da conjuntura no período que antecede o Carnaval, a partir de janeiro. “Embora o cenário no Brasil esteja melhorando, não temos nenhuma garantia de que irá permanecer do mesmo modo, como está ocorrendo agora na Europa. Há ainda muitas incertezas e tudo dependerá da evolução da pandemia nos próximos meses”, diz o documento. 

Conforme o Correio, a carta foi assinada pela diretora da Fiocruz-Bahia, Marilda Gonçalves, e lida na Câmara Municipal pelo presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada de Eventos, Cláudio Tinoco (DEM). 

Indicativo positivo 

Apesar das ressalvas, o indicativo da Fundação é de que as festas são viáveis, desde que gestores públicos sigam a recomendação de 90% da população vacinada e exijam dos foliões, inclusive estrangeiros, o passaporte de vacina.  

“Seria importante que qualquer programação para o Carnaval, e sabemos da necessidade de uma programação antecipada, poderia ser encarada como uma oportunidade para estimular a vacinação das pessoas, principalmente dos jovens”, orienta a carta. 

Repercussão política 

Segundo o Correio, a leitura da carta da Fiocruz-Bahia gerou uma grande repercussão com falas contrárias e favoráveis na Câmara.  

Favoráveis à realização do Carnaval argumentaram que a festa não é a vilã, que as pessoas precisam trabalhar e que a vacinação está avançada em Salvador. Contrários, por sua vez, alegaram que a festa é uma aglomeração muito grande e que os índices da pandemia estão estáveis desde setembro, o que não sugere ainda uma redução da pandemia no estado. 

Atualmente, a Bahia registra entre 400 e 500 novos casos de Covid-19 por dia. Dado que se sustenta desde setembro. Além disso, em Salvador, 287 mil pessoas ainda não foram tomar a segunda dose e a dose de reforço de vacinas contra a doença. 

 

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o Brasil