Cabeleireira diz que mãe de Henry Borel discutiu com Dr. Jairinho após videochamada do filho

Monique Medeiros teria feito ligação aos gritos, sendo ouvida por outros presentes no salão de beleza

Monique Medeiros e Dr. Jairinho em meio a fotógrafos e outras pessoas
Legenda: Presos desde 8 de abril, Dr. Jairinho e Monique devem ser indiciados por homicídio duplamente qualificado e tortura.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma profissional de beleza que atendeu Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, contou, em depoimento, que a mulher recebeu uma videochamada com uma criança e depois fez uma ligação aos gritos, repreendendo uma pessoa que seria o vereador Dr. Jairinho. As informações são do jornal Extra.

Monique estava em um salão de beleza para lavagem, hidratação e escovação do cabelo, além de manutenção de unhas de acrigel e embelezamento de pés e mãos no dia 12 de fevereiro. A conversa mencionada pela profissional foi relatada pela babá, Thayná de Oliveira, em depoimento.

Conforme a profissional de beleza, a mãe da criança chegou ao lavatório do estabelecimento por volta de 16h30. No local, ela fazia uma videochamada com um menino, que teria perguntado: "mamãe, eu te atrapalho?” e dito em seguida: “mamãe, o tio disse que eu te atrapalho”.

Monique, segundo a cabeleireira, teria respondido que a criança não a atrapalhava de forma alguma. Em seguida, Henry, teria dito: "Mamãe, vem pra casa" com um "choro manhoso", incluindo que "o tio bateu" ou "o tio brigou" em seguida — a profissional disse não se lembrar da frase exata.

Ela acrescentou ainda que, nesse momento, a babá do menino o filmou mancando. Monique, então, teria perguntado o que havia ocorrido e o porquê de a porta do quarto estar trancada, mas não ouviu a resposta dada pela babá. A cabeleireira disse à Polícia que a cliente ficou "um pouco agitada" e fez ou recebeu uma chamada telefônica após fazer as unhas.

Ligação após videochamada

Na ligação, Monique teria iniciado dizendo: "Você nunca mais fale que meu filho me atrapalha, porque ele não me atrapalha em nada" em volume alto. Em seguida, continuou: “Você não vai mandar ela embora, porque se ela for embora, eu vou junto. Porque ela cuida muito bem do meu filho. Ela não fez fofoca nenhuma. Quem me contou foi ele”.

O interlocutor, que seria Jairinho, disse "algo" em seguida, conforme a profissional de beleza. Monique, então, teria replicado de forma exaltada, aos gritos: “Quebra, pode quebrar tudo. Você já está acostumado a fazer isso". Ainda de acordo com a cabeleireira, os presentes, devido ao estado de Monique, "puderam ouvir sua conversa".

Após o término da ligação, a mãe de Henry teria perguntado à cabeleireira se havia algum lugar no shopping que vendesse câmeras, sendo informada sobre uma loja de eletrodomésticos na sequência.

Monique, então, teria apressado a profissional para que secasse rapidamente sua franja, pois "precisava ir embora", tendo saído "apressada" após pagar os serviços na recepção.

Retorno ao salão

A professora esteve mais duas vezes no estabelecimento, inclusive no dia seguinte ao enterro de Henry. Na ocasião, fez manicure, pedicure e escova, estando "abatida" durante os procedimentos, segundo a cabeleireira.

Ao longo do depoimento, a profissional afirmou ter tido conhecimento, no dia 18 de março, por meio de comentários no salão, de que Monique era mãe de Henry, morto em 8 daquele mês. A cabeleireira, então, associou sua imagem à cliente atendida por duas vezes, ficando "mexida" e com a consciência "muito pesada".

Por entender que o fato presenciado em 12 de fevereiro poderia ser útil às investigações da Polícia Civil, ela teve "coragem" e decidiu noticiá-lo — a mulher não o fez antes por ter "medo".

Morte de Henry Borel

Henry Borel
Legenda: Garoto chegou ao hospital sem vida e com diversas lesões, além de hemorragia interna
Foto: Reprodução

Henry Borel, de quatro anos, morreu no dia 8 de março. Laudo indicou que o óbito da criança foi provocado por "hemorragia interna" e "laceração hepática" (lesão no fígado), produzidas por uma "ação contundente". Ao todo, a criança tinha 23 lesões e hematomas pelo corpo.

O casal foi preso por policiais do 16ª Distrito Policial (DP), na Barra da Tijuca, para onde foram levados, após a juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da Capital, expedir mandados de prisão temporária por 30 dias. O inquérito do caso ainda não foi concluído pela Polícia, e os investigadores aguardam a conclusão de outros laudos.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o Brasil