Furacão Ida se aproxima dos EUA no domingo (29) como categoria 4

O fenômeno provocou uma fuga de moradores dos estados da região do sul do país

Furacão Ida
Legenda: O desastre evolui de tempestade para um furacão categoria 1, mas escalou novamente de gravidade, atingindo categoria 4, segunda mais elevada na escala Saffir-Simpson
Foto: AFP

O furacão Ida, de categoria 4 — segunda mais elevada na escala Saffir-Simpson —, avançava neste domingo (29) em direção ao estado da Louisiana, e deve produzir ventos máximos de 225 km/hora. O fenômeno provocou uma fuga de moradores desta região do sul dos Estados Unidos, que ainda recorda com tristeza da passagem do Katrina em 2005.

"O centro de Ida deve continuar se deslocando através do norte central do Golfo do México esta manhã, e deve tocar o solo ao longo da costa da Louisiana durante a tarde ou noite", afirmou o Centro Nacional de Furacões (NHC) em seu boletim mais recente.

O furacão vai produzir "tempestades com risco de vida, ventos com danos potencialmente catastróficos e inundações por chuvas", completou o NHC.

O fenômeno tocou o solo na sexta-feira (27) à noite no oeste de Cuba como categoria 1, com ventos máximos de 128 km/h. A tempestade derrubou árvores, danificou telhados e provocou a queda de postes de energia elétrica. Desde então, subiu três pontos na escala Saffir-Simpson.

Fuga em massa

Os estabelecimentos comerciais reforçaram a proteção em portas e janelas. Os moradores deixaram Nova Orleans e outras cidades da Louisiana. Os aeroportos registraram filas de passageiros à espera de voos para deixar o estado, enquanto grandes engarrafamentos dominaram as rodovias de saída da cidade.

"Todos estão assustados porque é o aniversário do Katrina e as pessoas não levaram a sério na época", disse Austin Suriano, que ajudou a reforçar as janelas da loja de conserto de relógios do pai. 

Passageiros em fila do Aeroporto Internacional de Nova Orleans
Legenda: Americanos se aglomeram nos aeroportos para deixarem estados que serão atingindo pelo desastre natural
Foto: AFP

Neste domingo a passagem do Katrina completa 16 anos. O furacão devastador inundou 80% de Nova Orleans, deixou 1.800 mortos e provocou bilhões de dólares de prejuízo.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, advertiu que "Ida está se transformando em uma tempestade muito, muito perigosa".

Maior tempestade nos EUA desde 1850

O governador do estado, John Bel Edwards, disse que esta será uma das maiores tempestades a atingir os Estados Unidos desde a década de 1850.

Em Nova Orleans, a prefeita LaToya Cantrell advertiu os moradores que devem levar o furacão Ida a sério. "O tempo não está do nosso lado", declarou no sábado (28). A tempestade "está crescendo rapidamente, está intensificando".

O sul da Louisiana se prepara para grandes danos e inundações, com chuvas de até 50 mm previstas em alguns pontos, enquanto a tempestade avança pelo Golfo após afetar o oeste Cuba.  

"A perda de energia elétrica por tempo prolongado é quase certa", afirmou o secretário de Segurança de Nova Orleans, Collin Arnold. "Imploro que levem a tempestade a sério".

Biden anunciou o envio de centenas de agentes para ajudar na emergência, assim como alimentos, água e geradores de energia elétrica. Abrigos também estão sendo preparados, mas a Louisiana foi um dos estados mais afetados pela pandemia de Covid-19, o que levou o presidente norte-americano a pediu o uso de máscaras e adoção de precauções.

O Serviço Meteorológico Nacional prevê uma maré de 3,5 metros em Nova Orleans e de cinco metros ao redor da foz do rio Mississippi quando o furacão tocar o solo.

16 anos do Katrina

As advertências sobre a chegada do furacão Ida inevitavelmente provocam recordações sobre a passagem do Katrina.

"É doloroso pensar que outra tempestade poderosa como o furacão Ida pode tocar o solo neste aniversário", declarou o governador da Louisiana.

A grande diferença é que desde então a cidade fez um grande investimento em um sistema de proteção composto por diques, comportas e bombas. 

A declaração do estado de emergência na Louisiana, aprovada por Biden, vai destinar recursos federais e ajudará o estado a reforçar as medidas de preparação e resposta às emergências.

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