O atual governador Elmano de Freitas (PT) foi candidato à reeleição ao cargo na disputa de 2026 e venceu o pleito. Ao contrário de 2022, quando foi alçado a candidato após o rompimento da aliança governista e enfrentou mais de uma candidatura competitiva, nesta eleição, o petista polarizou a disputa estadual com Ciro Gomes (PSDB).
Com 96,24% das urnas apuradas, Elmano recebeu 52,85% dos votos válidos no Ceará. Já Ciro, seu oponente, ficou com 46,56%.
Antes de chegar à política, Elmano atuou na Rede Nacional de Advogados Populares (Renap) e na defesa jurídica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele é graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Filiado desde 1989 ao Partido dos Trabalhadores, ele concorreu a um mandato eletivo pela primeira vez em 2012, quando foi o candidato a Prefeitura de Fortaleza, apoiado pela então prefeita da cidade Luizianne Lins (Rede). Contudo, acabou derrotado por Roberto Cláudio (União).
O primeiro cargo para o qual foi eleito foi o de deputado estadual, em 2014. Ele exerceu dois mandatos na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), chegando a ser líder da bancada do PT na Casa, além de presidir comissões no parlamento e ter sido o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito das Associações Militares, que investigou o motim de 2020.
No Executivo, exerceu cargos durante a gestão de Luizianne Lins em Fortaleza, tendo sido secretário de Educação, entre 2011 e 2012, e coordenador do Orçamento Participativo.
Nas disputas eleitorais na capital cearense, além daquela em que saiu derrotado em 2012, ele também foi candidato a vice-prefeito em 2016, na chapa encabeçada por Luizianne. Os dois acabaram ficando na terceira colocação. Em 2020, concorreu à prefeitura de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), mas não foi eleito.
Com o rompimento entre o PT e o PDT em 2022, após o lançamento da candidatura de Roberto Cláudio, houve a decisão de lançar uma candidatura própria do PT. Elmano de Freitas foi anunciado em julho, ao lado do presidente Lula (PT) e do senador Camilo Santana (PT) — ambos ainda candidatos ao cargo. Elmano de Freitas acabou vencendo a disputa ainda no 1º turno, com 54% dos votos.
Impasse para a composição da chapa
A candidatura à reeleição de Elmano de Freitas passou por momentos de dúvida. A saída de Camilo Santana, ex-governador do Ceará, do Ministério da Educação (MEC) em abril, no prazo em que permitia a ele estar apto para ser candidato, reforçou comentários tanto de aliados como de adversários sobre a possibilidade dele disputar o Palácio da Abolição.
O presidente Lula chegou a falar, na época, que Camilo poderia ser candidato "se precisar". "O Camilo não é candidato, mas vai se afastar para ficar de olho, na expectativa. Se precisar, ele é candidato e vai ajudar o Brasil, ajudar as coisas pelo Brasil", disse.
Camilo chegou a dizer que a saída foi "um pedido do próprio governador", caso fosse necessário ter "opções". Contudo, a eventual candidatura de Camilo Santana acabou não sendo efetivada e ele ficou responsável pela coordenação de campanha de Elmano de Freitas.
Contudo, houveram outras dificuldades na montagem da chapa governista encabeçada por Elmano de Freitas. A principal delas foi a definição sobre quem ocuparia as vagas ao Senado Federal. Em determinado ponto da pré-campanha, a lista de concorrentes às duas candidaturas chegava a 10 pré-candidatos.
Um dos principais problemas era a resistência do senador Cid Gomes (PSB) de ser candidato à reeleição. O ex-governador insistia no compromisso firmado com o deputado federal Júnior Mano (PSB) para lançar o parlamentar como candidato ao Senado Federal pelo PSB. Mas, após negociações, Cid acabou sendo anunciado em reunião em Brasília, que contou com a presença de Lula, em julho.
O número de partidos na aliança governista também foi um desafio, com mais legendas para contemplar do que vagas na chapa majoritária. Figura histórica do PT, José Guimarães (PT), foi um dos nomes que ficou de fora, assim como aliados importantes, como é o caso de Eunício Oliveira (MDB) e Chiquinho Feitosa (Republicanos).
A disputa pelo apoio da federação União Progressista adiou a definição de quem ocuparia a segunda vaga ao Senado. A convenção de Elmano de Freitas ocorreu inclusive apenas com Cid Gomes e Gabriela Aguiar (PSD), candidata a vice-governadora indicada pelo PSD.
Contudo, houve uma derrota judicial dos deputados federais Moses Rodrigues (União), presidente do União Brasil no Ceará, e de AJ Albuquerque (PP), presidente do PP no Ceará, na tentativa de levar a federação para a coligação de Elmano — o que poderia ter resultado uma indicação de Moses para a candidatura ao Senado.
Com isso, a deputada federal Luizianne Lins (Rede), que já havia sido lançada como candidata ao Senado Federal, foi confirmada para a segunda vaga na chapa governista no dia 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias.
Aposta na nacionalização da campanha
Na campanha eleitoral de 2026, Elmano repetiu a dobradinha com o presidente Lula, agora com os dois candidatos à reeleição. A nacionalização da estratégia adotada pelo petista contou com a presença frequente de Lula no Ceará e o uso da imagem do presidente na propaganda de Elmano.
Lula esteve no Ceará três vezes para agendas eleitorais, incluindo a convenção partidária de Elmano, realizada no final de julho, e dois atos na campanha eleitoral. O primeiro deles, no começo de setembro, foi em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense.
Já o segundo foi na última semana de campanha. No dia 29 de setembro, Lula veio a Fortaleza para uma caminhada pelas ruas do Centro de Fortaleza. Na ocasião, os dois candidatos petistas repetiram o mote principal da campanha: "Quem vota em Lula, vota em Elmano".
Lula também foi usado desde o início da propaganda de Elmano no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, inclusive com pedido direto do presidente para que os eleitores cearenses votassem no correligionário. “Eu conheço o Ceará, conheço também o Elmano. Sei da sua lealdade, da sua grandeza humana. Quem vota em mim para presidente, vota em Elmano para o governador”, diz Lula.
A nacionalização do debate, no entanto, não era apenas na tentativa de associar Elmano com Lula, mas também colar a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao adversário Ciro Gomes. Uma das expressões usadas para isso foi "Cironaro", mistura entre os nomes de Bolsonaro e Ciro, citada em propagandas, mas também em debates eleitorais.
A estratégia acabou rendendo processos judiciais contra a coligação de Elmano, com a Justiça Eleitoral concedendo direito de resposta a Ciro Gomes e também retirando tempo de propaganda eleitoral da coligação petista. Parte das decisões foi revertida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ciro adotou estratégia contrária, tentando focar a discussão em temas estaduais e evitando anunciar apoio a qualquer candidatura à presidência da República. "Eu não sou nem Lula, nem Bolsonaro, não é que eu sou contra eles, eu sou a favor de outro caminho para o Brasil", disse.
Elmano, durante a sabatina do PontoPoder, criticou a postura do adversário. "Ele esconde, porque não é só um apoio ou outro não. A campanha do Ciro é a campanha dos bolsonaristas. Ele tinha que dizer era muito obrigado, porque se tirar os bolsonaristas da campanha do Ciro, não tem é ninguém", afirmou.
Propostas para o Governo do Ceará
Maior preocupação da população cearense, a segurança pública foi um dos principais temas debatidos durante a campanha eleitoral. Entre as propostas apresentadas por Elmano , estão o "Quadrante Seguro" e a "Companhia de Pronta Resposta".
Eles têm como foco moradores e comerciantes ameaçados por facções criminosas. A meta é que a Companhia de Pronta Resposta haja no enfrentamento imediato aos criminosos que tem realizado as ameaças, enquanto o Quadrante Seguro trata da permanência de agentes de segurança para garantir a proteção da população.
O petista também propôs a contratação de mais 6 mil profissionais de segurança, ampliar o uso de câmeras para realizar o reconhecimento facial e a construção de quatro presídios no Ceará, além do aumento das Patrulhas Maria da Penha.
"O que é que nós vamos fazer? Aumentar a força. O que nós vamos fazer, eu estou formando 2.700 homens a mais só para a Polícia Militar e para a Polícia Civil. Nós vamos investir ainda mais em tecnologia agora. Agora, isso só é possível ter essa vitória se ela for nacional", disse na sabatina PontoPoder.
Na Saúde, Elmano propôs a construção de um novo hospital de grande porte na Região Metropolitana de Fortaleza, com foco no atendimento às cidades de Maranguape, Caucaia e Maracanaú, e outro na Serra da Ibiapaba, além do novo César Cals. O petista também afirmou que pretende construir 14 Espaços Girassol em todo o estado, um para cada região do Ceará.
Durante a campanha eleitoral, Elmano também falou sobre propostas para a mobilidade urbana, com a promessa de passe livre no transporte público de Fortaleza e a ampliação do Vai e Vem na Região Metropolitana; para a Educação, com a universalização do ensino profissionalizante para o Ensino Médio na rede pública; e para a atração de indústrias para os municípios cearenses por meio do aporte financeiro do Estado nas empresas.