'Efeito desembarque': Como a saída de Camilo Santana do MEC impacta a corrida eleitoral no Ceará

Quatro pontos para entender o movimento declarado pelo ministro da Educação para os próximos meses.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 14:46)
Legenda: Camilo Santana declarou, em entrevista no início desta semana, que deve deixar o Ministério para trabalhar pela reeleição de Lula e Elmano
Foto: Kid Júnior

O anúncio feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana (PT), nesta segunda-feira (19), de que deve deixar o comando do MEC até março pode não ser uma surpresa, mas movimenta os bastidores e sinaliza novas jogadas no xadrez da sucessão estadual. A decisão traz implicações para a disputa eleitoral deste ano, com efeitos que extrapolam o campo petista e governista. 

Camilo, maior liderança do PT no Estado e ministro próximo do ciclo presidencial em Brasília, ganhou proximidade com o presidente Lula ao assumir o Ministério da Educação em 2023, atuação já elogiada em público pelo chefe do Executivo. Sua desincompatibilização do cargo, porém, indica que o jogo eleitoral no Ceará exige mais do que interlocução: requer presença e comando direto.

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Volta ao Senado e reposicionamento político

Ao deixar o ministério, o que deve ocorrer apenas no fim de março, Camilo retoma o mandato de senador, atualmente ocupado pela suplente Augusta Brito (PT). De volta à cadeira, ele terá visibilidade própria do Legislativo e vira a chave para o ambiente político cearense, diante da ameaça ao projeto político liderado por ele personificada em Ciro Gomes (PSDB), que busca reunir a oposição no Estado. 

Naturalmente, a entrada de Camilo no jogo pré-eleitoral local acaba sendo uma resposta os movimentos de Ciro que agitam os bastidores no Estado. 

Por outro lado, a saída do Ministério em tempo hábil deixa Camilo como uma hipótese de concorrer, mesmo que ele negue essa possibilidade. 

Articulação das alianças e da chapa governamental 

Internamente, a volta de Camilo ao Ceará reposiciona o PT para a tarefa que parece ser a mais sensível da pré-campanha: a costura do arco de alianças e a montagem da chapa majoritária de Elmano. Em jogo, duas vagas para o Senado e a Vice-Governadoria, pontos de disputa entre aliados históricos e novos apoiadores. 

Camilo formaliza, assim, a atuação como articulador e fiador da coalizão, função tão estratégica como delicada. 

Articulação local de olho na nacional 

A saída do MEC também sinaliza que o projeto de reeleição de Lula terá forte ancoragem nos estados do Nordeste, com Camilo liderando a tropa no Ceará.  

A nacionalização da eleição estadual está cada vez mais evidente, com o petismo apostando no recall de Lula para fortalecimento dos nomes locais. O ex-governador é, nesse contexto, o elo entre os dois palanques. 

É bom lembrar um fato importante: a oposição vive momento de incertezas nacionais com o lançamento do nome de Flávio Bolsonaro e a dificuldade de coesão das forças antipetistas em âmbito nacional.

Camilo mexe no tabuleiro eleitoral 

Semelhante ao que aconteceu quando Ciro se filiou ao PSDB, a desincompatibilização de Camilo Santana é um marco decisivo para um ambiente eleitoral no Ceará. 

Um movimento que tem potencial de mexer com a base e com a oposição no Estado.