Setor de restaurantes sofre para pagar funcionários e está "prestes a explodir", diz Abrasel

Mesmo com retomada gradual, restaurantes amargam faturamento baixo e esperam retorno da redução de jornadas

Restaurantes na pandemia
Legenda: Durante o segundo lockdown no Ceará, iniciado em março, atendimento presencial em restaurantes foi interrompido
Foto: Helene Santos

Mesmo com a retomada gradual, iniciada na segunda-feira (12) no Ceará, o setor de restaurantes ainda se depara com uma crise cataclísmica. Nas palavras de Taiene Righetto, presidente da Abrasel-CE (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), "estamos sentados num barril de pólvora prestes a explodir".

Assim como outras atividades, o ramo de alimentação fora do lar aguarda com ansiedade a reedição do Programa BEm, o qual permite a redução e a suspensão de jornadas e salários dos trabalhadores pelas empresas. 

Sem o apoio desta medida prometida pelo Governo Federal, que está emperrada por conta do impasse no Orçamento, em torno de 80% dos restaurantes do Ceará terão dificuldades de pagar os funcionários neste mês.

"A folha de (pagamentos de) abril vai ser um desafio e muitos não vão conseguir pagar"
Taiene Righetto
Presidente da Abrasel-CE

De acordo com ele, ainda é cedo para avaliar este retorno, pois só dois dias entram na conta, mas o faturamento aferido na segunda e na terça-feira não chega a 30% de um dia normal.

"Para o nosso setor não muda nada. Estamos so com 20% dos estabelecimentos retornando e com movimento muito baixo", detalha.

Regras de funcionamento dos restaurantes

  • Proibido o funcionamento durante o final de semana;
  • Em dias úteis, o funcionamento deve ocorrer das 10 às 16 horas (se localizados na rua) e das 12 às 18 horas (se localizados dentro de shoppings);
  • Em qualquer horário e período de suspensão das atividades, os restaurantes podem funcionar para entrega;
  • Limitação de 25% da capacidade para atendimento simultâneo;
  • Limitação de seis pessoas por mesa;
  • Proibido atendimento de pessoas em pé, inclusive na calçada;
  • Proibição de filas de espera na calçada, sendo aconselhado filas de espera eletrônicas;
  • Proibição de festas, de qualquer tipo, em ambiente fechado ou aberto;
  • Autorizada disponibilização de música ambiente, inclusive com músicos, mas vedado espaço para dança ou aglomerações.

Auxílio para profissionais

Os profissionais desempregados do setor de bares, restaurantes e alimentação fora do lar vão receber o auxílio financeiro de R$ 1 mil do Governo Estadual. Com meta de beneficiar cerca de 10 mil trabalhadores, a medida foi instituída para amenizar os efeitos da pandemia que levaram o setor a paralisar as atividades.

Outras medidas de socorro ao setor foram anunciadas também no mês passado.

Confira as medidas

  • Parcelamento de todos os débitos de ICMS em 60 vezes
  • Isenção do IPVA de 2021 para veículos registrados em nome das empresas do setor e para até 1 carro, que não está registrado, mas que esteja em nome do profissional autônomo 
  • Pagamento da conta de água de março, abril e maio de todos os estabelecimentos de restaurantes, bares, barracas de praia e congêneres registrados na Cagece. Também será isento do pagamento da tarifa de contingência. 
  • Todos os débitos de água de março de 2020 até o dia 1º de março de 2021 serão também isentados. 
  • Auxílio financeiro de R$ 1.000, em duas parcelas, para trabalhadores do segmentos que estão desempregados no setor de alimentação fora do lar
  • Autorizar mais instituições com o Selo Lazer Seguro após o retorno das atividades