Cine Ceará: 35 anos fazendo de Fortaleza uma vitrine audiovisual
Festival chega ao marco em meio a um turbilhão de mudanças políticas, econômicas, culturais e sociais no Brasil e no mundo
Em 1991, quando o nosso país ainda engatinhava tentando se reerguer após anos de ditadura militar, nascia o Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, em Fortaleza.
Comemorar 35 anos é uma marca histórica para um festival de cinema brasileiro, especialmente porque a grande maioria dos eventos culturais enfrentam sempre inúmeros desafios de financiamento, infraestrutura e políticas públicas. Um festival de cinema é muito mais do que uma festa do audiovisual, é uma ação de resistência cultural.
Estruturar um festival como esse, definir curadoria, eleger cada filme, enaltecer profissionais, promover encontros e debates ao redor das obras e ofertá-los gratuitamente é uma aposta corajosa de formação de público e uma ferramenta essencial no fortalecimento da cadeia audiovisual brasileira que é tão potente.
Em um cenário onde é tão difícil conseguir telas em salas de cinema, são esses festivais os responsáveis por fazerem as obras circularem e chegarem em pessoas que nunca teriam a oportunidade de assisti-los. São os festivais as primeiras janelas de exibição onde vemos, de fato, o que o nosso país produz.
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A real é que festivais de cinema são sempre um convite à reflexão sobre como queremos o futuro: como queremos consumir, produzir e preservar o cinema? Como apoiar iniciativas que levam pessoas aos cinemas públicos da cidade? Como conectar público e criadores? Como fazer desses espaços grandes vitrines políticas e poéticas de resistência cultural?
Nada disso é fácil, por isso é importante enaltecer o tamanho e o valor do Cine Ceará, demarcando nosso Estado como um território de produção e de consumo latentes.
E aqui fica a dica: assistam os cearenses realizadores de cinema, assim como os filmes estrangeiros. É nosso, é o nosso cinema.
Viva o Cine Ceará!
*O texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor