Falta de transparência como estratégia

Esconder o jogo, evitar que o adversário saiba detalhes que podem tirar vantagens, faz parte. Casos de Covid-19 não entram nessa alçada. É questão de saúde pública.

Mascotes de Ceará e Fortaleza (Vovô e Leão), apertando as mãos, não Arena Castelão.
Legenda: Mascotes de Ceará e Fortaleza (Vovô e Leão), apertando as mãos, não Arena Castelão.
Foto: Camila Lima

Não é de hoje que, no futebol, os clubes utilizam de subterfúgios para obter alguma vantagem perante os adversários. Seja com treinos que ninguém mais pode assistir ou com a não liberação nem da lista de relacionados para uma partida, a forte blindagem com seus profissionais, que só aumenta. 

Isso tudo faz parte, gostando ou não, e admito que não sou fã de certas coisas guardadas a sete chaves. Quando não ganham jogo e só afastam o time de sua torcida, considero um certo exagero. Mas está enraizado na forma de fazer futebol, principalmente, aqui no nosso estado. Só nos cabe acatar.

Porém, chegou a pandemia e trouxe mais uma situação a provocar os tais ruídos de comunicação. Jogadores que contraem a Covid-19. Que logicamente, na visão dos clubes, se pudessem, nem revelariam quem pegou ou não a doença.

Acontece que os clubes são obrigados a divulgar essa lista do vírus. Portanto, se manifestam antes dos jogos.  

Na reta final do Brasileirão passado, o Fortaleza teve um surto de Covid, com 10 jogadores infectados. Gerou preocupação pela situação alarmante, foram 3 dias sem saber de quem se tratavam, até o boletim de pré-jogo sair. Afinal, se tratava de uma partida decisiva e o clube não poderia “entregar de mão beijada” os seus desfalques. Como se não estivéssemos falando de um caso de saúde pública e qualquer pessoa que tivesse tido contato com cada um desses jogadores não tivesse o direito de saber o que se passava.

É esse o ponto. O problema todo está aí. Esconder casos de Covid foge da questão time de futebol, jogo, competição e competitividade. Teria que ser obrigação do clube revelar as figuras públicas e que têm vida social fora da instituição que contraíram o coronavírus

O caso mais recente foi com o Ceará. Todo mundo sabe que tem algo estranho no “sumiço” do goleiro João Ricardo na lista da partida contra o Altos, no último fim de semana. E não colocar as perguntas relacionadas ao tema na entrevista coletiva, escolhendo o que o técnico deve responder ou não, só nos dá mais certeza da falta de transparência.

Acredito que nesse caso, faltou visão na forma de tratar. Infelizmente, se tornou comum no meio do esporte casos de jogadores com Covid. Seria, simplesmente, apenas mais um jogador e não teria a grande relevância que está tendo.

Situações que temos que lidar e ir levando adiante na expectativa de que tudo melhore e seja feito com o mínimo de transparência, porque o assunto é sério.