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Exportações do Ceará para os EUA sobem mais de 30% antes de novo tarifaço

Apesar disso, participação do país norte-americano na pauta exportadora do Estado caiu.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
03 de Junho de 2026 - 06:00 (Atualizado às 10:14)
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Legenda: Produtos siderúrgicos se mantêm como principal pauta exportadora do Ceará para os EUA em 2026.
Foto: Camila Lima/Diário do Nordeste.

O Ceará exportou, entre janeiro e abril de 2026, US$ 269,8 milhões para os Estados Unidos. Esse valor representa uma alta de 30,03% no comparativo com o primeiro quadrimestre do ano passado.

ERRAMOS (Atualização feita no dia 3 de junho às 10h14): Na primeira versão desta matéria, o Diário do Nordeste informou que o tarifaço ainda estava em vigor. A informação correta é de que, em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA revogou a sobretaxação dos produtos brasileiros, exceto para materiais siderúrgicos, como o aço. 

Nos quatro primeiros meses deste ano, o Ceará exportou no geral US$ 745,95 milhões, 49% a mais do que no mesmo período de 2025, quando somou US$ 500,5 milhões comercializados com o exterior.

Os dados são da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE) com base em informações da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A perspectiva é de que o Ceará, assim como o Brasil, pode ser afetado com um novo tarifaço - de 25% - a ser imposto pelo Governo dos EUA para produtos brasileiros.

EUA recebe fatia percentual menor dos produtos cearenses em 2026

Embora haja alta nas exportações cearenses para os EUA, a participação do país norte-americano nas exportações do Estado caiu cinco pontos percentuais.

No primeiro quadrimestre do ano passado, as exportações do Ceará para os EUA representaram 41,45% da pauta exportadora cearense. Em 2026, o volume foi de 36,16%.

O Ceará teve ainda a segunda maior alta percentual nas exportações nos quatro primeiros meses de 2026, atrás apenas de Roraima.

Para os EUA, o Ceará foi o 11º estado brasileiro que mais exportou para o País, e o primeiro do Nordeste. O território cearense corresponde a apenas 0,23% de tudo o que foi exportado do Brasil para os EUA em 2026. 

México surpreende e se torna vice-líder

Ainda que represente um número abaixo dos EUA, o também norte-americano México é, atualmente, o segundo país que mais recebe as exportações cearenses.

Foram US$ 46,17 milhões vendidos para o país latino entre janeiro e abril deste ano, 1.255% a mais do que no mesmo período de 2025.

Assim como os EUA, o México recebeu do Ceará majoritariamente produtos de ferro e aço semimanufaturados, exportados geralmente pela siderúrgica localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).

O que novo tarifaço pode representar para as exportações cearenses?

Para Augusto Fernandes, CEO da JM Negócios Aduaneiros, o Ceará até deve ser prejudicado com uma nova sobretaxação imposta pelos EUA, mas menos do que em 2025.

"Esse tarifaço, se passar, é diferente do de 2025. Além de ser menor, os itens principais de correlações entre os países estão fora deles", pondera.

Os itens principais de correlações aos quais Fernandes se refere são os produtos que estão em uma vasta lista de isenções preparadas pelo Governo dos EUA, como suco de laranja, carne e café, considerados essenciais para a população estadunidense.

"Tem uma isenção gigante da tarifa. Além de tarifas, são barreiras técnicas e tarifárias. Esse relatório inclui uma série de fatores usados politicamente, como o comércio digital, o pagamento eletrônico", completa o especialista. 

Fernandes também comenta o crescimento das importações mexicanas dos produtos do Ceará, e avalia que pode estar relacionado com a diversificação da pauta exportadora cearense.

"México faz fronteira com os EUA. Tem a parte automotiva que o Brasil tem compromisso com o México, com importação de partes de carros", expõe. 

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