Luiz Girão: “Atualize-se, inove, ou sua empresa vai quebrar”

Para o fundador da Betânia, na indústria ou no agro, o empresário tem de acompanhar a evolução tecnológica. E inovar!

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 07:36)
Legenda: Na Fazenda Flor da Serra, de Luiz Girão, na Chapada do Apodi, o cultivo de milho é irrigado por pivôs centrais (foto)
Foto: Divulgação
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“Se você fizer hoje na sua empresa o que fez ontem, ela vai quebrar” – sentencia o sábio agropecuarista Luiz Girão, fundador da Betânia Lácteos, que é hoje a Alvoar, produto de sua fusão com a mineira Embaré, providência que a transformou na quinta maior indústria de lacticínios do país e na líder do setor na região Nordeste. O que quis dizer Girão ao fazer essa declaração diante de 32 outros da agropecuária cearense? 

Em outras palavras, ele disse o seguinte: a empresa e seu dono devem estar, permanentemente, ajustados ao avanço das práticas da gestão corporativa, que, agora obediente aos padrões ESG, deve sustentar-se no respeito ao meio ambiente, na responsabilidade social e na ética e transparência gerenciais. Em resumo, Girão advertiu: “Atualize-se, inove, ou sua empresa irá à bancarrota.” 

Perto de tornar-se octogenário, mas carregando a inteligência juvenil que aprimorou ao longo da vida e, ainda, uma larga e, literalmente, pesada experiência empresarial, Luiz Girão é aquele amigo consultor pronto a dizer a quem o procura, e graciosamente, o que fazer, como fazer, onde fazer e quando fazer para tirar bom retorno do investimento. Se a consulta for na área do agro, a sua especialidade, a chance de dar certo é de 100%.  

Na curta fala que pronunciou na última segunda-feira, durante reunião de 32 empresários do agro com a superintendente do Banco do Nordeste no Ceará, Eliane Brasil, ele disse, em alto e bom som, com o entusiasmo que sempre o marcou (este colunista o conheceu nos bancos escolares, em Maranguape, na década de 50 do século passado), que, na atividade rural, “o dono da fazenda tem de saber e obter imediatamente o que a ciência e a tecnologia acabam de inventar para melhorar a produção e a produtividade”. E acrescentou, como se estivesse se dirigindo aos seus filhos: 

“É assim, também, na vida do industrial. É assim em toda a atividade econômica, pois o mundo e seu desenvolvimento estão a passar em alta velocidade, e é preciso, obrigatoriamente, acompanhar essas mudanças sob pena de ficar para trás quem não o fizer”. 

Girão é dono da Fazenda Flor da Serra, localizada na Chapada do Apodi, na geografia do município de Limoeiro do Norte, onde produz quase 25 mil litros de leite/dia, de alta qualidade, graças ao uso das novas tecnologias, incluindo as de irrigação para produzir volumosos (sorgo, milho, capim, palma forrageira) que são ensilados para consumo próprio de suas vacas e para a comercialização aqui e em outros estados. Na Flor da Serra, Girão implantou o que alguns pecuaristas chamam de “um hotel cinco estrelas”, que abriga – em ambiente protegido, com piso especial e ventilação mecânica – seu rebanho leiteiro de alta linhagem. 

Nasceu dele a ideia de transmitir aos pequenos pecuaristas do Vale do Jaguaribe as boas práticas da agricultura e da pecuária. De sua privilegiada mente, surgiu o programa de melhoria da qualidade genética do rebanho leiteiro daquela região, algo tão inovador que o BNB passou a financiá-lo. Hoje, mesmo nos anos mais recentes de pluviometria irregular (ou de seca, como diz a literatura), a produção leiteira regional do Jaguaribe aumentou. Não só pelo avanço genético, mas também porque o exemplo da Fazenda Flor da Serra, produzindo e armazenando forragem em silos de trincheira ou de superfície, se espalhou e hoje é item obrigatório no rol das rotinas diárias que os pecuaristas jaguaribanos executam em suas propriedades. 

Esta coluna pode assegurar que a pecuária cearense é dividida em dois tempos: antes e depois de Luiz Girão. O que ele fez e segue fazendo é hoje replicado por centenas de grandes, médios e pequenos pecuaristas produtores de leite do Ceará. O modelo estendeu-se, igualmente, aos que criam gado de corte, cujo rebanho cresceu em quantidade e em qualidade.  

Eis a prova: a Masterboi, dona de grandes frigoríficos no Nordeste e no Norte do país, construirá, ainda neste ano, no entorno da sede municipal de Iguatu, no Centro Sul do estado, um moderno frigorífico industrial, que, abatendo bois cearenses e de estados vizinhos, tornará realidade um sonho antigo dos pecuaristas do Ceará.  

Será um investimento privado, que contará, naturalmente, com os incentivos fiscais oferecidos pelo governo estadual aos que investem aqui, abrindo novo mercado e criando mais empregos diretos, formais e estáveis.