Escândalo do Banco Master é o Brasil perto do fim do mundo
Pelo andar da carruagem, o maior escândalo financeiro da história do país caminha para a mesma pizzaria da Lava Jato
Esta coluna já havia advertido que as investigações da Polícia Federal em torno das fraudulentas operações do Banco Master e do seu dono caminhavam para o mesmo desfecho da Operação Lava Jato: a pizzaria. Agora, pelo andar da carruagem que conduz, com os devidos cuidados, a elite política e jurídica do país, praticamente não tem mais dúvida de que “o sistema”, em cuja corrente sanguínea foi injetado o vírus do crime bem-organizado, está elaborando um frustrante e decepcionante final deste que é, na opinião do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o maior escândalo financeiro da história deste país.
A investigação da PF chegou aonde o melhor dos Sherlocks Holmes jamais imaginou: o Supremo Tribunal Federal, que tem três dos seus 10 ministros (a décima primeira cadeia segue vazia, desde que dela abriu mão pela renúncia o ministro Ricardo Levandowski) envolvidos direta ou indiretamente no caso – Dias Toffoli, Nunes Marques e Alexandre de Moraes. Na linguagem de arquibancada, isto significa que a Suprema Corte do país – cujos integrantes devem pairar acima de qualquer suspeita e devem, ainda, ser sérios e parecerem sérios – tem parte dela sob suspeição. Pode não ser o fim do mundo, mas está perto dele.
Por que pode ser repetida agora a mesma saída jurídica adotada no escândalo da Lava Jato? Resposta simples: porque o escândalo do Banco Master, por astúcia do seu dono, Daniel Vorcaro, um ser de inteligência acima da média, envolve alguns dos mais destacados figurões dos três poderes da República – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. A nata da política brasileira é citada na troca constante de mensagens de Vorcaro com sua noiva. Entre os citados está o senador David Alcolumbre, que, representando um pequeno estado, o Amapá, está pela segunda vez presidindo o Senado Federal. Além de citado nos áudios de Vorcaro – cujo celular foi periciado pelos agentes da Polícia Federal – Alcolumbre (que teria dificuldade de vender um caro usado a alguém sério) foi quem indicou o diretor do Instituto de Previdência do Amapá, que investiu R$ 400 milhões na compra de títulos podres do Master Um prejuízo que aposentados e pensionistas amapaenses terão de pagar.
Além do escândalo do Banco Master, há outro, o do INSS, de cujos cofres foram roubados R$ 6,5 bilhões por uma quadrilha da qual faziam parte dirigentes do próprio ministério da Previdência e da alta direção do Instituto Nacional de Seguridade Social, em estreita parceria com sindicatos e instituições “caritativas”, assim mesmo, entre aspas. Investigações da Polícia Federal chegaram ao filho do presidente da República, e este detalhe é um dos que contribuem para ampliar a hipótese de que tudo terminará em pizza, como quer o “sistema”.
No Congresso Nacional, há uma CPMI, cujo prazo de funcionamento terminará no próximo dia 28. O ministro André Mendonça, do STF, relator dos dois escândalos, determinou que, em 48 horas, que se venceram ontem, o presidente do Senado, David Alcolumbre, leia o requerimento que pede a ampliação em mais 60 dias do prazo de funcionamento dessa CPMI. André Mendonça, porém, mandou para o plenário do STF o julgamento sobre sua decisão.
Segundo a mídia, a tendência da maioria do STF é pela rejeição da decisão de André Mendonça, o que transferirá para David Alcolumbre a decisão sobre o encerramento ou prosseguimento dos trabalhos da CPMI.
Estará dado mais um passo na direção de levar os escândalos do Master e do INSS para o forno da pizzaria. Se isto realmente vier a acontecer, o brasileiro mais simples, aquele que, para sobreviver, pede esmola nas ruas, poderá dizer a todo pulmão: “No Brasil, o crime compensa.”
Este é um ano eleitoral, e os dois escândalos começam a repercutir na campanha eleitoral para a presidência da República, como revelaram as últimas pesquisas. Neste momento muito grave da vida nacional, há uma guerra no Oriente Médio que fez explodir o preço do petróleo, causando o aumento dos preços dos combustíveis, no Brasil e no mundo, causará inflação. Para enfrentar e vencer problemas tão agudos assim, o governo precisa de ter respaldo popular para adotar medidas duras. Em ano de eleição, porém, essas medidas têm de primeiro atender ao interesse eleitoral ou reeleitoral.
A propósito e em tempo: ontem, os ministros do STF decidiram reduzir os “penduricalhos” que inflam os vencimentos dos juízes do Poder Judiciário. Agora, esses benefícios estão limitados a 35% do teto salarial. Foram mantidos o pro-labore, as diárias e as ajudas de custo e, também, a conversão em dinheiro de um dos dois meses de férias a que os magistrados têm direito.
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