Os grandes projetos da CNA para o agro brasileiro
Presidente da Faec e do Instituto CNA, Amílcar Silveira revela: um dos projetos já começou e deverá ser maior centro mundial de pesquisa da agropecuária
Hoje é feriado. Ao contrário da maioria dos demais, este feriado é por justo motivo, pois os cearenses estamos a celebrar a data que, em 1884, registrou a libertação dos escravos. O Ceará foi, no Brasil antigo, a primeira província a abolir a escravidão, a fase mais horrenda da história de horrores deste país. O feriado de hoje é merecido, ponto! Os outros, porém, com três ou quatro exceções, só atrapalham e atrasam o progresso de um país que precisa do trabalho de todos.
Não somos, ainda, uma nação rica que, constantemente, pode desligar a tomada da produção para, no seu lugar, ligar a do ócio. Pois bem, nesta quarta-feira, esta coluna traz uma boa notícia disruptiva, e ela vem da agropecuária e com protagonismo cearense.
Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) e vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) recebeu do presidente da entidade máxima do agro brasileiro, o baiano João Martins, a tarefa de presidir e dar vida ao Instituto CNA. Em dois meses, Amílcar e um time de consultores elaboraram três projetos que hoje, em Brasília (onde não é feriado), serão apresentados à cúpula da CNA.
O primeiro deles recebeu o nome de “Agro Pesquisação”, que juntará a pesquisa científica à ação da iniciativa privada. A Embrapa, que há 50 anos plantou as sementes que transformaram o Brasil na maior potência agrícola e pecuária do planeta, deixou de ser aquele centro de excelência do serviço público brasileiro. Ela atravessa hoje uma crise geracional, agravada pela crise de gestão. Seus grandes pesquisadores aposentaram-se. Os de hoje mostram desencanto e desânimo diante da falta de recursos que os incentive a pesquisar. A saída, então, é chamar o setor privado para ele mesmo criar o que o presidente do Instituto CNA já está chamando de “a mais moderna unidade de pesquisa tecnológica em agropecuária do mundo”.
Essa unidade já existia, e agora está sendo ampliada e modernizada. Localizada na zona rural do município paulista de São Roque e ocupando área de 54 hectares, ela já conta com 21 pesquisadores, entre eles o brasileiro Eduardo Portela, referência mundial na área, atuando em grandes universidades dos EUA.
As pesquisas serão desenvolvidas em cinco áreas: pecuária de leite, pecuária de corte, aquicultura e carcinicultura, fruticultura e fármacos.
Para as pesquisas na pecuária leiteira, a unidade do Instituto CNA, que brevemente terá a colaboração de robôs, contará com 200 vacas de alto padrão, com média de 60 litros/dia de leite cada uma. Esa unidade capacitará os técnicos de campo indicados pelas federações da agricultura dos estados (no Ceará, a Faec/Senar já tem 68 agentes de campo, parte dos quais será qualificada em São Roque).
“Nosso objetivo é melhorar a qualidade do leite brasileiro”, diz, com visível entusiasmo, o presidente da Faec, que adianta o segundo projeto elaborado pelo Instituto CNA: uma Central de Inteligência do Agro, com imagens de satélites e trilhões de informações sobre o agro no Brasil e no mundo. Pretende o projeto “unir o grão ao dado, ou seja, unir o agro desde o silo do grão ao silo do Agrodata, que armazenará os dados do agro; usaremos a tecnologia da Inteligência Artificial para melhorar a já excelente performance do agro brasileiro”, afirma Amílcar Silveira.
O terceiro projeto será a realização de uma feira já denominada de Agrisummit. Ela será tão grande que seu local ainda não foi escolhido. Poderá ser no Sudeste ou no Centro Oeste. Mas ela acontecerá no primeiro semestre do próximo ano.
Na segunda-feira passada, 23, Amílcar Silveira expôs esses projetos para 32 empresários cearenses do agro, que ficaram muito bem impressionados com o que ouviram e viram nas transparências.
No auditório, estava a superintendente do BNB, Eliane Brasil, que parabenizou o orador, desejando-lhe “toda sorte do mundo”. Os empresários Cristiano Maia, Raimundo Delfino, Jorge Parente, Luiz Girão, João Teixeira, Gentil Linhares, Fernando Franco, José Antunes e Tiago Guimarães (coordenador da AJE) pediram a palavra para, também, louvar o trabalho de Amílcar Silveira na Faec e na CNA.
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