Justiça mantém jogo entre Palmeiras e Flamengo suspenso

A equipe carioca voltou de viagem do Equador após jogo pela Libertadores. Durante o voo, vários atletas foram flagrados sem máscara e desrespeitando o isolamento social

Esta é uma imagem do Flamengo
Legenda: Decisão do TRT-RJ (Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro) adiou a partida entre Palmeiras e Flamengo
Foto: Divulgação

O jogo entre Palmeiras e Flamengo continua suspenso. Neste domingo (27), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro indeferiu o mandado de segurança impetrado pela CBF e manteve a decisão de adiar a partida.  O jogo estava marcado para acontecer neste domingo (27), às 16h, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro. A equipe carioca tem um surto de Covid-19 entre empregados, dirigentes e jogadores.

A liminar foi assinada pelo juiz Filipe Olmo e aconteceu a pedido do Sindeclubes (Sindicato dos Funcionários de Clubes do Rio), presidido por José Pinheiro dos Santos, funcionário da segurança do Flamengo. A entidade entrou com o pedido na sexta (25). A multa para o descumprimento da decisão é de R$ 2 milhões.

O Flamengo voltou de viagem ao Equador, após jogo pela Libertadores, com 36 membros infectados pelo novo coronavírus -19 jogadores. Uma imagem polêmica do voo, postada nas redes sociais do time, mostrou vários atletas sem máscara e não respeitando o distanciamento entre eles.

O clube carioca já havia feito a mesma solicitação ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), mas o pedido foi indeferido. O mesmo apelo feito à CBF foi negado.
"Apesar dos protocolos estabelecidos pela CBF e pelo 2º réu [o próprio Flamengo] [...] não há garantia de que os empregados saudáveis não terão contato com outros que possam estar infectados", escreveu o juiz em seu despacho.

De acordo com o UOL, a CBF recebeu com irritação a liminar que suspende o confronto e prometeu tentar derrubar a decisão. Para se precaver, o Flamengo manteve sua programação pré-jogo e embarcou para São Paulo.

Em nota assinada pelo presidente Maurício Galiotte, favorável ao jogo, o Palmeiras defende que o campeonato seja paralisado caso o protocolo definido não seja cumprido.

Para negar o pedido da equipe rubro-negra na última quinta-feira (24), a CBF apontou que a agremiação "dispõe de elenco suficiente para a realização da partida [13 atletas saudáveis]" e adotou o que chamou de "medida mais adequada e isonômica" -solicitações semelhantes foram indeferidas.

O jornal Folha de S.Paulo questionou CBF e Flamengo sobre o adiamento, mas não obteve uma resposta até a conclusão desta edição.

A polêmica colocou de lados diferentes os jogadores dos dois clubes. Os do Palmeiras chegaram a desautorizar o sindicato da categoria em São Paulo, afirmando desejarem jogar. A entidade se manifestou contra isso. Neste sábado, foi entregue um abaixo-assinado de 20 atletas flamenguistas à Saferj (Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio de Janeiro) solicitando que a partida não aconteça.

Antes de ter um surto de coronavírus no clube, o Flamengo foi um dos principais incentivadores da volta do futebol em julho, após cerca de três meses de paralisação. O elenco voltou a treinar em 20 de maio, em sigilo, mesmo sem autorização das autoridades do Rio de Janeiro.

O Flamengo também se mostrou durante a semana ser o grande entusiasta entre os principais clubes do país de um retorno imediato dos torcedores aos estádios. Para isso, conta com o apoio do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), que disse que o Maracanã poderia receber 20 mil pessoas no próximo dia 4, quando o time enfrenta o Athletico.

Também durante a semana, o Ministério da Saúde aprovou um plano da CBF para retorno da torcida em 30% da capacidade, já a partir de outubro, mas deixou a decisão final para os estados e prefeituras.

A CBF, no entanto, esbarrou na última quarta (23) nas negativas do governador de SP, João Doria (PSDB), e de autoridades municipais, como os prefeitos Nelson Marchezan Júnior (PSDB), de Porto Alegre, e Alexandre Kalil (PHS), de Belo Horizonte.

A entidade, então, realizou uma vídeoconferência com os clubes da Série A e integrantes de federações estaduais, no dia seguinte, para saber a posição de cada um sobre o assunto. No encontro virtual, apenas os representantes do Flamengo e da Ferj disseram que aceitariam a volta do público nos jogos do Brasileiro antes da liberação para todas as cidades. Os demais são favoráveis ao retorno, mas apenas se a regra valer para todos.

Em nova reunião com os times, neste sábado (27), a entidade ratificou o pensamento das equipes à respeito da isonomia do campeonato e vetou o retorno do público. Contudo, vai reavaliar a situação daqui a duas semanas.

O Flamengo foi o único dos 20 times da Série A a não participar da videoconferência. Em nota, o clube afirma que a decisão sobre o público não compete aos clubes e à CBF, que afirma ter convidado o clube rubro-negro.

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