Entrevista exclusiva: Guto Ferreira fala de clássico, campanha histórica e estilo de jogo no Ceará

Treinador alvinegro foi protagonista na vitória por 3 a 1 sobre o Fortaleza

Guto Ferreira na beira do campo
Legenda: Guto Ferreira é o técnico mais longevo da Série A
Foto: Kid Junior/SVM

A vitória por 3 a 1 sobre o Fortaleza fez o Ceará chegar a uma sequência de dez partidas de invencibilidade no Brasileirão. Além disso, trouxe ainda mais confiança e tranquilidade ao técnico Guto Ferreira. Nesta segunda-feira (2), o treinador alvinegro concedeu entrevista exclusiva à Rádio Verdes Mares e falou sobra vários assuntos.

Dentre os temas em questão, o comandante do Vovô falou sobre a vitória no Clássico-Rei, o trabalho no dia a dia do Ceará, o momento do meia Vina, a situação da lateral-direita, a relação com os torcedores e o futuro no clube. Veja os principais trechos da entrevista. (A íntegra da entrevista vem logo abaixo)

Aposta nos jovens jogadores

É um trabalho que começou na base, passou por um ano de maturação de város jogadores, que esse ano começam a assumir algum protagonismo. Ainda com uma certa coadjuvância, mas como não dizer que o Lacerda já tá assumindo protagonismo? Como não dizer que o Rick, em algum momento, já tá assumindo protagonismo. O próprio Buiú. Então é um trabalho que precisa ter tempo, e tem outros chegando, que em algum momento no próximo ano, vão estar mais maduros, e prontos para dar respostas importantes pro Ceará. 

Dá para imaginar um estilo de jogo diferente do praticado pelo Ceará até agora?

É muito difícil mudar completamente o estilo de jogo no meio de uma competição e da maneira que o Ceará vem dentro do Brasileirão. Vai ter jogos em que o Ceará vai conseguir jogar mais, vai ter jogos em que vamos jogar menos, mas a questão da competitividade sempre vai existir, sim. O trabalho é sempre por melhorias e passa muito pela característica. E não podemos esquecer que temos, no nosso comando, seres humanos, e não máquinas. Não é simplesmente encaixar a peça na engrenagem. Tem dias que o cara não tá bem, tem os problemas particulares também, e ele entrando mal, fatalmente eu estou mexendo mal. Outras vezes sou eu que erro. Coloco para fazer funções que no treinamento conseguiram fazer, e no jogo, por algum motivo, não conseguiram. E não pode achar que por isso o jogador é incompetente ou não tem condições de jogar no Ceará. A cada dia é um aprendizado e uma busca de fazer melhor. E vamos colhendo resultados.

Te incomoda quando tem a crítica de que o futebol do Ceará não é vistoso?

Não é nem a questão disso (da crítica), mas da maneira que às vezes é feito o comentário. Parece que não existe trabalho. Tipo "ah, o Ceará não tem repertório". Há maneiras e maneiras de tecer comentários e o que incomoda é quando esse comentário traz uma realidade que não é verdadeira. Se pegar o Ceará a partir da nossa chegada, a gente vem crescendo dia após dia. Esse ano não vencemos título, mas chegamos sempre de maneira decisiva, e vamos até aqui fazendo a melhor campanha do clube na história dos pontos corridos.

Qual foi a grande mudança que você fez no intervalo para virar o Clássico-Rei?

No primeiro tempo nossa equipe entrou um pouco tensa, tentando jogar, mas não conseguindo. E o Fortaleza marcou muito forte, acima do que estava marcando. E conseguiu fazer um gol, mas não conseguiu definir o resultado. E muitas vezes eles fizeram isso e o adversário, sem força pra reagir, acabou cedendo o resultado pra eles. E não foi o nosso caso. Quando o jogo começou a se acomodar, nossa equipe começou a ter algumas vitórias pessoais e a conseguir jogar um pouquinho, fizemos o gol. E assim acabou o primeiro tempo. E houve uma correção de uma peça e reposicionamento. No mais, confiança, moral, o que a gente sempre faz e fez com esses jogadores. E a partir daí tivemos maior controle de jogo.

Atletas do Ceará comemoram gol abraços com Guto
Legenda: Guto Ferreira realiza o trabalho mais longevo da Série A do Brasileiro no Ceará
Foto: Felipe Santos / CSC

No Ceará do Guto, tem alguém com vaga cativa? Ou joga quem está melhor?

Estamos ganhando opções, mas trabalhamos para que essas opções possam performar dentro de campo na hora dos jogos em um nível de Ceará vencedor na Série A. Tem jogadores que estão em um estágio, transitaram da Série D para o Ceará. E estão em um processo de amadurecimento e adaptação na Série A. É mais difícil, demanda mais adaptação. E a gente segue oportunizando, tirando, e vai chegar o momento em que eles estarão prontos e serão os nomes certos para a posição. Joga sempre quem tá melhor. Não é porque veio para ser o nome certo da posição que está naquele momento melhor. Vai jogar quem estiver melhor, porque quem precisa do melhor é o Ceará.

Como está a situação da lateral-direita? 

Ontem foi muito pontual, dentro de uma estratégia que eu busquei e acabou não se efetivando. Não conta o que a gente buscava, foi uma mudança que a gente tentou e admito que não utilizei o Buiú porque precisava subir também a estatura da equipe, para não ter problemas na bola parada. E isso tudo a gente tem que pensar. Às vezes, tem que sacrificar até um jogador que está melhor que o outro. O Buiú tá muito bem na lateral, a cada jogo que passa, tem mais personalidade. Tinha algumas coisas inicialmente que tinha um pouco mais de dificuldade, no último terço ofensivo, mas vem se qualificando, jogo após jogo fazendo jogadas melhores, e defensivamente é um jogador muito firme, muito assertivo. E que traz uma solidez importante pra nossa equipe.

Legenda: "Sobre ser Flamengo ou não eu não posso responder porque isso precisa ser visto estatisticamente se os árbitros favorecem time A ou B", disse Guto
Foto: Thiago Gadelha/SVM

Você que acompanha no dia a dia, o que está acontecendo com o Vina, que não consegue repetir as boas atuações que teve na última temporada?

Eu acho que é uma fase e torço para que seja realmente essa fase. Já houve um crescimento bastante acentuado em relação ao desempenho dele. Teve momentos já em crescimento. "Ah, mas não tá fazendo gol". E é o que todo mundo tá esperando dele. Mas daqui a pouco essa cobrança dele consigo próprio pode representar um peso demasiado porque as coisas não estão acontecendo. Mas daqui a pouco acontece e volta tudo ao normal. Em termos de mobilidade, movimentação, tá nos ajudando muito defensivamente, coisa que no ano passado, em muitas ocasiões, a gente tinha jogadores que tinham uma imposição maior no meio, e isso facilitava com que ele relaxasse um pouco mais. A necessidade de ser uma equipe um pouco diferente. Estamos com uma defesa mais sólida, mas um ataque menos efetivo. E nossa busca é por manter a defesa e melhorar o ataque. E tenho certeza que o Vina vai retomar e vai contribuir para essa melhora.

Até onde o Ceará do Guto Ferreira pode chegar no Brasileirão 2021?

Trabalhamos no dia a dia para fazer cada vez melhor. Aonde vamos conseguir terminar? Espero que no melhor lugar possível. Se você falar sobre sonhos, queremos o mais alto possível. O nosso objetivo é Sul-Americana, primeira página de tabela. Mas estamos mirando a Lua. Se acertamos uma estrela, vamos ficar bravos com isso? O que a gente não pode é errar por completo e ter feito, no final, melhor que o ano passado. Mas o sonho e a busca é sempre pelo melhor.

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