Antes de ser presa no condomínio de luxo onde mora em Barueri (SP), a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, acusada de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), quase foi capturada na Itália, onde passou 20 dias de férias. O Fantástico revelou neste domingo (24) que uma operação foi traçada entre as autoridades brasileiras e a Polícia Internacional, a Interpol, mas Deolane voltou ao Brasil um dia antes da deflagração.
A influenciadora passou mais de 20 dias em Roma, hospedada em uma região de alto padrão, em um prédio com diárias que passam de R$ 15 mil. Todos os passos de Deolane eram monitorados à distância.
Ela foi presa na última quinta-feira (21), acusada de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
De acordo com as autoridades, Deolane teria atuado como "caixa" do grupo criminoso, utilizando contas pessoais e empresariais para movimentar recursos de origem ilícita.
Apesar de já ter negado, Deolane tem histórico de proximidade com pessoas ligadas ao PCC, como a cearense Francisca Alves da Silva, a 'Pretinha', cunhada de Marcos Willians Herbas Camacho, o 'Marcola', número 1 do PCC. As duas já foram clicadas em fotos juntas, e Deolane chegou a receber dinheiro da conta de 'Pretinha', além de ser suspeita de comprar bolsas de luxo roubadas.
O nome da influenciadora já foi citado em uma investigação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Ceará (Ficco/CE), em uma operação que prendeu 'Pretinha'.
O relatório dessa investigação mostrou ainda que dois integrantes do PCC já haviam sido presos em um apartamento de luxo de Deolane Bezerra, em São Paulo, onde estavam morando.
Mais de R$ 27 milhões movimentados
Relatórios financeiros produzidos durante as diligências contra Deolane e o PCC indicam que, entre 2018 e 2022, cerca de R$ 13,6 milhões circularam pelas contas pessoais da influenciadora, além de R$ 14 milhões movimentados por empresas dela.
Segundo os investigadores, há indícios de que os valores não têm origem comprovada em atividades declaradas, como publicidade, que é o caso com influenciadores.
A defesa da influenciadora negou qualquer irregularidade e disse que todos os valores recebidos têm origem legal e estão devidamente declarados.
A apuração identificou que as empresas de Deolane seriam consideradas de fachada e registradas em cidades do interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau, onde foram encontrados bilhetes com ordens de líderes do PCC em 2019, caso que originou as investigações contra a influencer.
Deolane estaria também no centro de uma operação de lavagem de dinheiro do PCC, que consistia em uma empresa transportadora de cargas de fachada, funcionando ao lado da penitenciária de Presidente Venceslau.
Parte das movimentações ocorreram em depósitos em espécie, partindo do caixa da facção por meio da transportadora, e ordenados pela cúpula da organização criminosa.
Os depósitos, que foram fracionados abaixo de R$ 10 mil, ocorreram entre os anos de 2018 e 2021 e somaram R$ 1.067.505. Segundo a Polícia, o intermediador era Everton de Souza, o Player, que indicava a conta de Deolane para "fechamentos" mensais. Player também foi preso na última quinta-feira. Ele seria o operador financeiro da organização.